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Os Ferreira Gomes continuam numa boa
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Magela Lima é jornalista e professor do Centro Universitário 7 de Setembro, doutor em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia

Magela Lima opinião

Os Ferreira Gomes continuam numa boa

Tipo Opinião

No mundo das notícias, é sempre importante separar o que, de fato, carrega algo novo daquilo que, para dizer um mínimo, vem sendo requentado. Nos últimos meses, a nossa crônica política tem dedicado atenção especial a uma suposta briga no grupo dos Ferreira Gomes. Pelo que consta, há uma disputa acirrada entre os apoiadores da indicação da governadora Izolda Cela e do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, para a definição da chapa que vai disputar o Governo do Estado em outubro.

Definitivamente, não há nenhuma novidade em cena. Os Ferreira Gomes, desde que chegaram ao poder com a eleição de Cid em 2006, têm animado o nosso debate público com esse clima de indefinição. Uma falsa indefinição, diga-se. Do ponto de vista político, tem-se mostrado absolutamente estratégico e eficiente esse processo de ir testando a popularidade e a desenvoltura de possíveis candidatos. Com tantas urgências e carências que o Ceará tem, o panorama eleitoral, no entanto, acaba ficando restrito a nomes, quando deveria se voltar à proposição de soluções para nossos problemas. Essa é a questão.

Não há surpresa alguma em não se saber, até agora, quem será o candidato oficial do grupo. Camilo Santana, por exemplo, foi apontado como possível sucessor de Cid já com a campanha de 2014 em ritmo acelerado. Antes disso, a opção por Roberto Cláudio para disputar a Prefeitura de Fortaleza tinha seguido o mesmo esquema. Mais recente, a escolha de José Sarto para tentar manter o comando da capital também repetiu a fórmula. Por que, agora, seria diferente? É um mesmo roteiro, temperado por novos personagens e o calor dos acontecimentos.

Tudo é muito previsível. Há sempre a escalação de determinadas figuras para sugerir que a disputa interna do grupo está um tanto mais acalorada, há sempre a proposição de que uma absurda reviravolta pode surpreender a todos, há sempre a circulação de ideias sem nexo algum com a objetividade e o rigor da nossa legislação eleitoral. O movimento tem sido o mesmo nos últimos quatro pleitos. Mesmo assim, políticos experientes, quer de oposição ou interessados em compor com o grupo, têm sido pautados por esse clima de indefinição. Uma falsa indefinição, insisto.

Não há desconforto algum entre Izolda Cela e Roberto Cláudio, não há desentendimento nenhum entre Cid e Camilo. Tal hora, estão todos abraçados cantando Terral. Tudo não passa de um jogo político que tem dado certo até aqui. É fato, entretanto, que as fórmulas, mesmo aquelas exitosas, se esgarçam e a realidade se impõe. Em Fortaleza, por exemplo, o prefeito Sarto amarga uma impopularidade que contrasta de forma muito incômoda com o sucesso do fim de mandato de Roberto Cláudio. A própria Izolda, vale destacar, no poder desde 3 de abril, tem se limitado a manter uma agenda do que vinha sendo feito por Camilo Santana, perdendo uma oportunidade ímpar de mostrar repertório novo para a rotina da máquina pública.

Definitivamente, os Ferreira Gomes continuam numa boa. A oposição cresceu e se encorpou ao longo dos últimos anos, ficou mais visível e barulhenta, mas não consegue, substancialmente, sair da cartilha ditada pelo grupo. É a eleição batendo à porta e o debate novamente concentrado na escolha do nome que vai ser ungido com o apoio oficial. A vida dos cearenses, porém, quer mais da política do que essa corrida por um potencial protagonismo. Quem quiser ser candidato ao que quer que seja que se viabilize politicamente, mas que o faça sem atravancar a discussão sobre os problemas reais que precisam ser enfrentados.

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