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Coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília, cientista político, mestre em Ação Política pela Universidade Rey Juan Carlos (2007), diretor-executivo do Interlegis do Senado Federal. Analisa o cenário político nacional, a partir de um merguilh0op mais profundo nas causas e efeitos.

Bolsonaro é cabo eleitoral de Lula e vice-versa

Pré-candidatos que lideram as pesquisas sobre 2022 precisam um do outro para fechar o espaço ao surgimento de um terceiro nome viável na cabeça do eleitor

Diversas pesquisas invariavelmente mostram o mesmo cenário: um desgaste forte de Bolsonaro e Lula surgindo como opção dentro do momento polarizado que vive o Brasil. Nada muda o fato que Bolsonaro precisa de Lula e vice-versa, retroalimentando-se em um esquema de rejeição essencial para derrubar o adversário nas eleições de 2022. Mas no embate entre ambos, o petista começa a despontar como favorito.

Por mais que uma parcela significativa do eleitorado torça para o surgimento de uma terceira via, ou seja, um nome que se coloque entre os dois, longe dos radicalismos e da polarização, esta solução parece cada vez mais improvável.

Os nomes colocados até aqui não empolgam e dificilmente se unirão para fazer frente ao momento polarizado. Até o momento suas pretensões pessoais falam mais alto.

Exatamente por isso Lula busca transitar pelo centro e tenta se viabilizar como um nome moderado, tentando rachar a terceira via e partir para o ataque eleitoral com apoios que podem surgir do centro político.

Neste cenário, Lula tenta encarnar o figurino de 2002 e vencer a eleição com um discurso de moderação, agregando em torno de si a imensa insatisfação surgida em torno de Bolsonaro.

O surgimento do petista com 49% das intenções de voto, colhendo 25% dos votos daqueles que votaram em Bolsonaro é a maior prova que Lula aposta nos erros do Presidente para voltar ao Planalto.

A decepção com Bolsonaro se tornou o maior combustível lulista e na medida que uma terceira via tem dificuldades em se viabilizar, a opção por seu nome cresce como forma de mudar o inquilino do Alvorada.

Com um governo fraco e sem realizações, a rejeição de Bolsonaro funciona de forma perfeita para Lula. Com uma economia fraca, desemprego em alta e uma pandemia que ceifou mais de 500.000 vidas, o modelo bolsonarista joga muito mais na emoção do que na razão e em tempos recentes, sem a mesma eficácia de outrora.

Quanto mais errar, mais fortalece Lula como um nome viável para 2022. É a regra da polarização.

Bolsonaro se tornou refém de sua própria estratégia. Ao mesmo tempo que precisa de Lula como seu antagonista, a polarização com o petista pode se tornar a principal causa de sua derrota.

Hoje é o principal adversário de Lula, mas também seu principal cabo eleitoral. Talvez por agir mais por intuição do que por estratégia, o Presidente esqueceu de fechar todos os flancos eleitorais que podem derrubá-lo no ciclo eleitoral.

Como sabemos, ainda é cedo para fazer previsões, mas na ciência política é sempre importante observar a tendência eleitoral, no Brasil e no exterior, para conseguirmos desenhar previsões eficazes para as eleições.

Em 2018, a inclinação em vários países era pela rejeição da política tradicional, impulsionando a chegada dos outsiders. Anos depois, o que se desenha para o ciclo eleitoral é uma situação de refluxo, com o eleitor fazendo as pazes com a política.

Há espaço para um nome de centro que pode disputar uma vaga com Bolsonaro pelo segundo turno. Entretanto, em caso de polarização plena, Lula leva vantagem, especialmente impulsionado pelo seu maior cabo eleitoral: Jair Messias Bolsonaro. n

 

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