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Coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília, cientista político, mestre em Ação Política pela Universidade Rey Juan Carlos (2007), diretor-executivo do Interlegis do Senado Federal. Analisa o cenário político nacional, a partir de um merguilh0op mais profundo nas causas e efeitos.

O peso da economia

Tipo Opinião

Enquanto a política começa a dar os primeiros passos na direção das eleições do ano que vem, os eleitores preferiram tomar outro caminho. Longe dos conchavos dos corredores de Brasília, a população brasileira sente os efeitos dos desacertos em nossa economia e dos solavancos inflacionários que corroem o poder de compra dos salários. Mais do que a guerra política, estaremos diante de um pleito em que o bolso do eleitor falará mais alto que qualquer pauta de costumes ou movimentos anticorrupção.

A alta da inflação é o principal sintoma do desequilíbrio econômico pelo qual passam as contas públicas. A inflação de setembro chegou a 1,16% e estamos diante de mais um recorde do IPCA para o mês desde o início do Plano Real em 1994. O acumulado em 12 meses bate em 10,25%. O poder de compra do brasileiro está sendo corroído pela inflação. Uma fatura que será cobrada nas urnas.

Nosso país há tempos mostra que patina de forma intensa em termos de crescimento. A chamada "Década do Brasil" foi um retumbante fracasso. Em 120 anos nunca crescemos tão pouco como nos últimos dez anos, com PIB médio de 0,3%.

Em 2022 não será nada diferente. Teremos o menor crescimento da América Latina segundo o Banco Mundial. Só não estamos atrás de Cuba e Venezuela, uma vez que nem dados confiáveis possuem. Brasil segue atrás de Honduras, Paraguai e até Suriname.

Usado para medir a confiança na economia, o risco-país fechou o mês de setembro em 204 pontos, disparando 17,9%. O dólar avançou a R$ 5,44 ( 5,4%). O Ibovespa recuou 6,57% no mesmo mês.

Estamos diante de índices econômicos preocupantes que deixam claro o tamanho do problema que temos diante de nós. De nada adiantam discursos se os números mostram o drama econômico que se espalhou entre os brasileiros.

Os aumentos se espalham por todos os setores. Pelo menos 75,9 milhões de casas e empresas terão algum aumento na conta de luz antes da eleição de 2022. Isso equivale a 84% dos clientes do Brasil.

Somando isto ao possível racionamento e a crise hídrica, o potencial eleitoral de qualquer governo derreteria. As pesquisas deixam claro este fenômeno. A impopularidade bate em níveis assustadores.

Já foram nove aumentos semanais consecutivos dos combustíveis. Motoristas de aplicativo gastam mais da metade do que ganham nas corridas para abastecer o carro. A proporção era de 20% em 2017, mas cresceu com a alta dos combustíveis.

Resultado: muitos deixaram de trabalhar por aplicativos. Enquanto isso, o preço do gás levou muitos brasileiros voltar a cozinhar em fornos à lenha. Estas são realidades que cobrarão seu preço eleitoral.

Erram aqueles candidatos que colocam a política e as alianças diante da economia. A situação é grave e o eleitor que soluções para o desemprego, pandemia e alta de preços. Diferente de 2018, a pauta não é mais renovação ou movimento anticorrupção.

Os brasileiros querem trabalho, saúde e estabilidade. Quem souber mostrar que sabe o caminho para resgatar o país da situação atual sairá muito na frente. Chegou o momento de segurança e experiência. O brasileiro cansou de bravatas, aventuras e experimentos. n

 

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