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Já é mais que tempo de virar o jogo: mulheres negras no STF
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Ex-Ministra da Igualdade racial, no período entre 2003 e 2008, e, atualmente, professora na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro brasileira (Unilab). Doutora em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e Doutora Honoris Causa pela Fundação Universidade Federal do ABC (UFABC)

Já é mais que tempo de virar o jogo: mulheres negras no STF

Passados 135 anos de abolição da vergonhosa escravização, que durou quase quatro séculos, ainda somos vistas/os e ou tratadas/os como peça fora do lugar no cotidiano e estruturas das instituições
Tipo Opinião
Matilde Ribeiro, ex-Ministra da Igualdade racial. Atualmente professora na UNILAB - Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro Brasileira. Doutora em Serviço Social pela PUC - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Doutora Honoris Causa pela UFABC - Fundação Universidade Federal do ABC. (Foto: Divulgação )
Foto: Divulgação Matilde Ribeiro, ex-Ministra da Igualdade racial. Atualmente professora na UNILAB - Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro Brasileira. Doutora em Serviço Social pela PUC - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Doutora Honoris Causa pela UFABC - Fundação Universidade Federal do ABC.

Em 132 anos de existência o Supremo Tribunal Federal (STF) teve 168 ministros homens (entre estes apenas um negro) e somente três mulheres. Sejamos razoáveis, né?! Agora, em 2023, circula a proposta de ter uma mulher negra no STF, não é por mimimi ou busca de poder pelo poder. É a expressão de luta histórica por direitos e justiça!

Passados 135 anos de abolição da vergonhosa escravização, que durou quase quatro séculos, ainda somos vistas/os e ou tratadas/os como peça fora do lugar no cotidiano e estruturas das instituições.

O tempo de "liberdade", que vivemos após a abolição, é praticamente o mesmo de ausência e esquecimento em relação ao STF e outras instituições brasileiras. Há um fato inexorável: nós, negras/os, existimos e resistimos, mas somos invisibilizadas/os. Importantíssimo se faz engrossar o caldo da construção da efetiva democracia brasileira.

Trata-se de construção de ações afirmativas e, porque não, "reparação histórica". Recentemente, comemoramos a posse da historiadora negra Ana Flávia Magalhães Pinto como diretora do Arquivo Nacional (professora do Departamento de História da UnB), 185 anos após a criação da instituição.

Apenas em 2002 é iniciado o Programa de Ações Afirmativas - Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, de preparação para o concurso público para Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores. A médica negra Marise Ribeiro Nogueira foi a primeira bolsista a ingressar na diplomacia ao ser aprovada no concurso de admissão.

É por isso que o Movimento Negro e as organizações de Mulheres Negras pressionam historicamente o Estado brasileiro para a viabilização de direitos sociais, políticos e econômicos para a população negra, destacando as mulheres negras.

Visando alcançar patamares de justiça e democracia é que nós negras/os ativistas, intelectuais e profissionais estamos fazendo ecoar pelos quatro cantos do Brasil a frase com o conteúdo que nos é de direito: "Mulher Negra no STF", em 2023. Somamos nosso propósito de luta às 25 deputadas federais, à Ordem dos Advogados do Brasil, demandando do presidente que efetive mais um ato da persistência histórica de enterrar e/ou varrer a farsa da "democracia racial", que minou e mina nossas vidas negras e empobrecidas, tendo por base o racismo institucional e estrutural, fortemente presente a cada minuto de nossas vidas. n

 

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