
Líder classista, empresário do setor de farmácias, é diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC) desde 2018
Líder classista, empresário do setor de farmácias, é diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC) desde 2018
Quando menino, bastava uma bola e um grito para a rua se encher de amigos. O sol mal se deitava e já éramos risos correndo atrás de algo que parecia ser um gol — mas era, no fundo, o que a gente mais buscava: pertencimento.
Essa essência, aprendi cedo. Lembro com nitidez das tardes em São Benedito, onde meus avós, descendentes de italianos, faziam da casa um porto seguro. A mesa era comprida, farta e viva. Nunca faltava um prato a mais. Nunca faltava conversa, política, fé ou causos — tudo misturado como as boas saladas que antecediam o prato principal. Estavam ali, sentados lado a lado, padres e políticos, comerciantes e professores, jovens idealistas e senhores da velha guarda. A cidade parecia caber inteira naquela sala. E ninguém saía sem levar algo no coração.
Esses encontros não eram evento, eram rotina. E sem saber, meus avós me ensinaram que amizade não se marca com hora — se cultiva com intenção. Era mais do que comida, era comunhão. Mais do que hospitalidade, era laço.
Hoje, entre compromissos, voos e demandas, trago essa lembrança como bússola. Ainda valorizo um churrasco improvisado, uma conversa sem pauta, um café que vira almoço. Reunir, para mim, é rito. É pausa sagrada no ritmo frenético da vida. É não esquecer quem somos quando estamos com os nossos.
Vejo com tristeza que estamos todos ocupados demais para sermos encontrados. As telas ganharam prioridade, as notificações substituíram os convites. E a amizade — essa arte delicada — virou luxo. Mas sempre a vi como necessidade.
Pesquisas recentes mostram que a solidão faz mal à saúde como fumar quinze cigarros por dia. Que amizades sinceras nos protegem do adoecimento. Que, ao fim de uma vida, o que mais se lamenta não é o que não se conquistou, mas quem se deixou de cultivar.
Talvez por isso eu insista em manter minha mesa posta. Porque nela se serve mais do que comida ou bebida: ali se serve escuta, presença, alívio. Brindamos vitórias e derrotas, histórias repetidas e abraços necessários. Amigos são protagonistas da nossa existência — não figurantes.
Sucesso, descobri, não é ter com quem competir, mas com quem comemorar. E isso, meus avós sabiam de cor. A vida passa rápido, mas ao redor de uma mesa cheia de afeto, ela passa mais leve.
A receita é simples: mantenha a mesa aquecida, o coração aberto e os amigos por perto. Porque amizade, meu amigo, não se deixa pra depois.
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