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Varejo em pé, mesmo com o vento contra
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Líder classista, empresário do setor de farmácias, é diretor da Confederação Nacional do Comércio (CNC) desde 2018

Varejo em pé, mesmo com o vento contra

À primeira vista, parece que 2026 será mais um daqueles anos feitos para sobreviver, não para ousar. Mas o varejo nunca foi território dos que apenas resistem. Ele é, por natureza, o chão de quem aprende a caminhar mesmo quando o vento sopra de frente
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Fim de ano aquece vendas e fluxo no North Shopping Maracanaú  (Foto: Jefferson Souza)
Foto: Jefferson Souza Fim de ano aquece vendas e fluxo no North Shopping Maracanaú

O calendário de 2026 não chega leve. Ele bate à porta com juros ainda em patamares elevados, consumo pressionado, feriados prolongados atravessando semanas produtivas, eleições no horizonte e, como pano de fundo emocional do país, uma Copa do Mundo capaz de sequestrar atenção, humor — e parte do orçamento — do brasileiro. À primeira vista, parece mais um daqueles anos feitos para sobreviver, não para ousar. Mas o varejo nunca foi território dos que apenas resistem. Ele é, por natureza, o chão de quem aprende a caminhar mesmo quando o vento sopra de frente.

Os números apontam crescimento moderado, inflação permanentemente vigiada e crédito caro, exigindo escolhas mais racionais. O brasileiro segue comprando, mas compra diferente: compara mais, adia decisões, reduz impulso e mede consequências.

Soma-se a isso um dado sensível — o alto nível de endividamento das famílias — que comprime o consumo antes mesmo que o desejo chegue ao caixa. Em 2026, vender não será apenas oferecer preço; será oferecer segurança, previsibilidade e confiança a um consumidor cujo orçamento já chega cansado ao fim do mês.

Do outro lado do balcão, o varejo também sente o aperto. Empresas mais alavancadas convivem com juros que corroem margens, pressionam o capital de giro e reduzem a capacidade de investir. O desafio deixa de ser apenas vender mais e passa a ser vender melhor: com giro saudável, controle rigoroso de custos e disciplina financeira. Crescer endividado, em 2026, pode ser mais arriscado do que crescer devagar.

Os feriados prolongados, tão celebrados no turismo, impõem ao comércio um desafio silencioso: semanas fragmentadas, fluxo irregular e custos fixos que não tiram folga. A resposta exige gestão cirúrgica de estoques, escalas inteligentes e campanhas pensadas com antecedência. O improviso, que em anos de bonança até se perdoa, tende a cobrar um preço alto em tempos de margem curta e crédito caro.

As eleições adicionam ruído e cautela. A Copa traz risco e oportunidade. Se desloca parte do consumo para o entretenimento, também abre espaço para ativações criativas e para um varejo que saiba dialogar com o espírito coletivo — sem estimular excessos que agravem o endividamento do mês seguinte.

É justamente aqui que entra a essência do comércio cearense. O varejo corre em nossas veias. Ele nasce da criatividade, da proximidade, da capacidade de se reinventar quando o cenário aperta. Em cada balcão há uma aula diária de resiliência. Em cada loja aberta, um ato de fé no amanhã.

Representar esse setor, a partir da CDL Fortaleza e com uma diretoria dinâmica é reconhecer que o comércio não é apenas atividade econômica: é tecido social, gerador de empregos, promotor de dignidade e esperança.

A grande oportunidade de 2026 está no equilíbrio inteligente. Menos euforia, mais consciência. Menos volume, mais valor. Tecnologia com empatia. Estratégia com responsabilidade. Vencer não será vender a qualquer custo, mas ajudar clientes e empresas a atravessarem o ano em pé, com fôlego para seguir comprando, investindo e acreditando.

Porque o varejo cearense já provou muitas vezes: quando o vento aperta, ele não fecha as portas. Ele ajusta as velas. E segue.

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