Neila Fontenele
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Colunista de Economia, Neila Fontenele já foi editora da área e atualmente ancora o programa O POVO Economia da rádio O POVO/CBN e CBN Cariri.

Análise

Pandemia: briga fora de hora

Fernanda Pacobahyba, secretária da Secretaria da Fazenda do Ceará
Foto: Tatiana Fortes (15/7/19)
Fernanda Pacobahyba, secretária da Secretaria da Fazenda do Ceará

O governo do Estado ampliou em 25,35% as suas despesas na área de saúde em 2020, em relação a 2019. Pesou, no aumento dos gastos, a aquisição dos hospitais Leonardo da Vinci e Geral de Crateús.

Ontem, a secretária da Fazenda, Fernanda Pacobahyba, apresentou o relatório de avaliação das metas fiscais do governo em relação ao último quadrimestre de 2020 à Comissão de Orçamento, Finanças e Tributação da Assembleia Legislativa. Mostrou que, na área de saúde, foram aplicados R$ 4,6 bilhões, quando em 2019 foram R$ 3,6 bilhões.

O Estado recebeu R$ 918,8 milhões relativos a transferências para mitigação dos efeitos financeiros da Covid-19; R$ 498,9 milhões relativos a compensação da redução do Fundo de Participação dos Estados (FPE); e R$ 403,6 milhões, referentes a programas do Fundo de Combate à Covid. Um valor bem inferior aos R$ 42 bilhões informados pelo presidente Jair Bolsonaro.

Ou seja, houve ajuda, mas também um esforço para manter as contas. No último quadrimestre de 2020, o Estado conseguiu recuperar a arrecadação de impostos e taxas. Embora os valores de arrecadação sejam inferiores aos de 2019 em termos nominais, as transferências do governo federal ajudaram a suportar a elevação das despesas, o que deve realmente acontecer diante do tamanho da crise sanitária.

Soma de esforços

UNIÃO PARA BUSCAR SAÍDAS

Os desembolsos financeiros realizados pelos governos estadual e federal foram fundamentais para o enfrentamento da Covid-19, principalmente diante das incertezas sobre o nível de atividade econômica e a elevação de gastos. Vale lembrar que é nos estados e municípios que as coisas acontecem; portanto, é papel do governo federal apoiar todos os entes federativos em momentos de catástrofes como esse.

Divisões políticas, confusões sobre os valores gastos e perdas de energias com picuinhas não contribuem em nada diante da situação. Essa é hora de somar esforços e buscar saídas.

 

A oficialização do acordo de fusão da Hapvida e da Notre Dame Intermédica criou um gigante na área de saúde
Foto: Aurélio Alves/O POVO
A oficialização do acordo de fusão da Hapvida e da Notre Dame Intermédica criou um gigante na área de saúde

Mercado

EQUILÍBRIO NA CONCORRÊNCIA

A oficialização do acordo de fusão da Hapvida e da Notre Dame Intermédica criou um gigante na área de saúde, com um valor de mercado de R$ 118 bilhões. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ainda está avaliando o acordo entre as empresas, mas a expectativa é de que não haja problemas concorrenciais, em função das áreas de atuação de cada grupo. Ou seja: a Hapvida com uma área de atuação mais forte no Norte e Nordeste; a Notre Dame, no Sul e Sudeste.

O Cade deve fazer a avaliação de possíveis desequilíbrios na concorrência por praça para impedir algum excesso na concentração.

O executivo Geraldo Luciano Mattos Júnior foi um dos personagens importantes para o sucesso da fusão das operadoras Notre Dame e Hapvida
Foto: DIVULGAÇÃO
O executivo Geraldo Luciano Mattos Júnior foi um dos personagens importantes para o sucesso da fusão das operadoras Notre Dame e Hapvida
Ceará

AMPLIAÇÃO DO MERCADO DE CAPITAIS

O executivo Geraldo Luciano Mattos Júnior (foto), ontem, no O POVO Economia da Rápido O POVO/CBN, destacou a importância da ampliação do número de empresas cearenses com trabalhos de governança corporativa e a maior abertura de capitais. "É muito bom poder testemunhar o amadurecimento das empresas cearenses de utilizar o mercado de capital, como M. Dias Branco, Hapvida, Pague Menos, Aeris e Arco", acrescenta.

Como já disse o jornalista Jocélio Leal, o executivo foi um dos personagens importantes para o sucesso da fusão das operadoras Notre Dame e Hapvida. Vale lembrar que o Hapvida ampliou o seu processo de crescimento a partir da abertura de seu capital, em 2018.

Na avaliação do economista, mais empresas locais se preparam para trilhar esse caminho, implantando processos de governança, o que é importante para o fortalecimento dos negócios. "Não há economia forte sem um mercado de capitais forte", ressalta. Na avaliação de Geraldo Luciano, as empresas só têm a ganhar, conseguindo poder e força para compras de insumos, fazendo novas aquisições, e atraindo e retendo os melhores profissionais.

 

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