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Colunista de Economia, Neila Fontenele já foi editora da área e atualmente ancora o programa O POVO Economia da rádio O POVO/CBN e CBN Cariri.

Ouro em alta; garimpos ilegais, também

Investidores buscam proteção na compra de ouro
Tipo Opinião
Barras de ouro (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação Barras de ouro

Em um mundo de incertezas e novas variantes do coronavírus, os investidores buscam proteção em ativos tradicionais. O ouro é um deles.

Embora a China tenha reduzido o volume de compra de minérios, impactando no mercado de um modo geral, as cotações do ouro continuam subindo, fechando ontem a semana com leve alta. O advogado Tomás de Paula Pessoa, ex-diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), destaca que as incertezas econômicas têm feito investidores do mundo inteiro se agarrarem à compra de ouro. Por essa razão, os valores do ouro estão sendo mantidos com preços elevados.

Na venda futura (para dezembro), a onça-troy fechou a semana em US$ 1.784,00. O avanço da cotação acumulada na semana foi modesto (0,32%), indicando estabilidade, mas com valores elevados. Porém, enquanto os investidores buscam segurança, há outro avanço no mercado: os garimpos ilegais.

Esse é um setor que precisa ser fiscalizado. A região Amazônica é a que mais sofre com a situação, colocando comunidades indígenas em risco. A cotação do ouro chegou a superar US$ 2.000 (cerca de R$ 10 mil) este mês e a corrida global pelo minério continua. Segundo fontes do mercado, o Brasil exportou nos primeiros sete meses de 2021 quase 55 toneladas de ouro, 5,8% a mais do que no mesmo período do ano anterior, e 31% a mais do que em 2018.

Como já disse Caetano Veloso, "é a força da grana que ergue e destrói coisas belas".

Rede D'Or

AQUISIÇÕES DE AÇÕES

A Rede D'Or S.A, controladora do Hospital São Carlos, continua ampliando sua participação no mercado. O grupo, que desde dezembro já realizou 13 operações de compra e participação em empresas, adquiriu esta semana 1.106.500 ações ordinárias (ONs) do Centro de Imagem em Diagnóstico Aliar (AALR3), o que representou um desembolso de R$ 12,6 milhões. A operação foi registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Na segunda-feira, o conselho de administração do grupo D'Or aprovou a oferta pública de aquisição (OPA), informando a intenção de adquirir a totalidade de 118.292.816 ações ordinárias da Alliar. Lembrando que, ontem, a rede também concluiu a compra do Hospital Aliança, na Bahia.

Finor

RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS

O ministro Rogério Marinho esteve ontem em Fortaleza, participando de reunião com o presidente do Banco do Nordeste, Romildo Rolim, e o vice-presidente da Fiec, Carlos Prado. Objetivo? Debater a aplicação da Lei 14.165/21, que permite a renegociação e quitação de dívidas de empresas junto ao Finor e Finam. Entre os parlamentares, apenas o deputado federal Danilo Forte (PMDB-CE), que foi o relator da proposta. Essa é uma luta dos industriais cearenses de mais de 30 anos, com desfecho positivo para as empresas.

Perda

JOSÉ DE FREITAS

O Ceará perdeu esta semana mais uma liderança importante, o economista José de Freitas Uchoa, que foi coordenador do Sistema Nacional de Emprego no Ceará (Sine/CE) por mais de 20 anos. Sempre atencioso com a imprensa, foi um grande defensor do órgão e um guardião das estatísticas e das análises sobre emprego e desemprego.

VCI

FECHAMENTO DE CAPITAL

Enquanto empresas brasileiras descobrem o mercado de bolsa de valores, a VCI S.A (administradora da marca Hard Rock) entra na contramão desse fluxo e fecha capital, quitando suas debêntures e retirando todos os papéis de circulação. A companhia informou a quitação de R$ 48 milhões em debêntures com 28 meses de antecedência.

BATE-PRONTO >> Natália Rodrigues

Educação financeira é liberdade

Nath Finanças(Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação Nath Finanças

Natália Rodrigues, 23 anos, e fluminense de Nova Iguaçu, montou seu império nas redes sociais, mostrando como é possível economizar mesmo tendo pouco dinheiro. Formada em Administração, foi da pobreza ao sucesso rapidamente e hoje é influenciadora pop da Internet. Acreditem: o divisor de águas na sua vida foi a disciplina de Matemática Financeira num curso superior de Administração. A partir desse aprendizado, ela montou seu canal Nath Finanças, reunindo material didático sobre educação financeira voltado para pessoas de baixa renda, que tomam três ônibus para ir ao trabalho.

O POVO - O mundo real das finanças deu certo, e hoje ela apresenta conteúdos para assalariados, estagiários, menores aprendizes e microempreendedores individuais. Em entrevista ao Guia Econômico da Rádio O POVO-CBN, ela contou parte da sua história.
Como surgiu a ideia do Canal?

Natália Rodrigues - Criei o canal porque estava na faculdade, trabalhava com carteira assinada, vendia cartão de loja, mas não tinha controle financeiro e vivia no ciclo vicioso do cartão. Foi com a disciplina de Matemática Financeira, na faculdade, em 2018, que eu me encontrei e consegui entender os conceitos financeiros. Depois, comecei a estudar mais sobre finanças e a fazer cursos. As pessoas que falavam sobre finanças diziam para guardar R$ 1 mil e eu recebia menos de R$ 600. Como eu ia guardar R$ 1 mil? E a maioria dos brasileiros tem esse perfil: jovens que começam a trabalhar e não tem como gastar o dinheiro só com roupa e sapatos, mas tem de pagar também as contas em casa. Em janeiro de 2019 criei o canal e comecei a falar com essas pessoas. Comecei com 200 seguidores.

O POVO - Você tem falado que nós aprendemos a comprar, mas não aprendemos a controlar. Você também conta que vendia cartão de crédito e ficava com a consciência pesada de estar ajudando as pessoas a se endividarem. Além de saber comprar, o que mais precisamos saber?

Natália Rodrigues - Eu me sentia mal. Quando alguém dizia que tinha cinco cartões, eu falava: “não precisa desse aqui, não”. Alguns clientes voltavam depois e me davam presentes pelas dicas. A primeira vez que recebi meu salário, a primeira coisa que recebi foi uma conta corrente com tarifa e um cartão de crédito com anuidade. Não sabia nem o que era cartão de crédito ou cheque especial, colocaram na minha conta sem eu saber. Detalhe: fiquei duas horas na fila para conseguir fazer uma conta. Foi traumático, falei que nunca mais queria ir a um banco. Isso acontece com milhares de brasileiros: você abre uma conta para receber o seu salário e muitas vezes você nem escolhe, mesmo tendo direito à escolha.

"Não vou dizer quanto cada um pode economizar, isso cada um é que sabe. Falo sempre: guarde o que puder. O nosso salário não acompanha a inflação"

O POVO - Qual foi a lição disso tudo?

Natália Rodrigues - A lição foi: passamos por esse tipo de coisa devido à falta de informação, por não conhecermos os bancos digitais, nem conhecermos os nossos direitos. Muita gente não sabe, mas você não é obrigado a pagar tarifa bancária: há pacotes de serviços que você não paga nada - só que eles não vão oferecer isso para você... Depois que eu entendi isso, passei a melhorar a minha situação financeira, passei a investir e a economizar dinheiro. Isso me deu liberdade.

O POVO - Você, com 23 anos, conseguiu montar o seu negócio e se organizar. Como foi isso?

Natália Rodrigues - Não é fácil, sempre estamos uns 10 passos atrás. Não vou dizer quanto cada um pode economizar, isso cada um é que sabe. Falo sempre: guarde o que puder. O nosso salário não acompanha a inflação, o aumento dos alimentos, das vestimentas, já é complicado viver nesse país. O ponto aqui é para os jovens que estão começando e para os mais velhos que querem organizar a vida financeira. Primeiro, tem de ver o salário; depois, a separação das despesas em cinco categorias: despesas fixas (aluguel, prestação da casa, seguro, internet); variáveis (acontecem todos os meses, mas mudam o valor: luz, água, supermercado); extras (não esperamos: remédios, utensílios quebrados); lazer; e adicionais (IPTU, IPVA). É importante tentar juntar uma reserva de emergência para pagar pelo menos 15 dias desses valores, sem precisar pagar juros.

Topfive >> Dicas

Para reduzir as despesas da casa

Em tempo de elevação da inflação, ficou ainda mais importante o controle das despesas do lar. Eis algumas dicas da fintech Jeitto, especializada em crédito para as classes C e D.

1. Tente fugir dos horários de pico ao usar eletrodomésticos: o horário de maior consumo de energia é entre às 18h e 22h. Mesmo com o home office, nesse período o consumo tende a aumentar, pois é o momento em que a maioria das pessoas está com TVs ligadas e luzes acesas em diferentes ambientes.

2. Evite guardar alimentos quentes na geladeira: o alimento quente faz a geladeira trabalhar mais, por isso, mantenha-o fora da geladeira até ficar frio e apenas depois guarde para poder conservá-lo.

3. Descubra quais são as frutas da época. Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com economia, certo? Pois bem, as frutas da época tendem a estar mais em conta no mercado e principalmente na feira; se puder, opte por elas.

4. Tampe as panelas ao cozinhar: muitos não sabem mas, ao preparar a comida com as panelas abertas, o consumo de gás é maior, e consequentemente gera um aumento na conta de gás ou a necessidade de comprar mais botijões por mês.

5. Nada de banho quente demorado. Cada minuto a menos no banho gera em média uma economia de 23 litros de água. Com os banhos rápidos, há economia na conta de água e no gasto com energia, no caso de chuveiros elétricos

Breves

LASER FAST - A Laser Fast, rede de clínicas de depilação a laser, prevê inaugurar 10 novas unidades na região Nordeste até o final de 2021. A rede espera chegar a 18 clínicas no Nordeste e consolidar sua atuação na região. Fortaleza está entre as cidades contempladas.

ARGENTINOS -A recém-criada Câmara Brasil-Argentina no Ceará (CBACE) já tem uma agenda de trabalho. Para o final do ano já está sendo articulada uma feira de produtos argentinos, que em breve pode chegar às prateleiras dos supermercados locais. Em 2022, a rota se inverterá e serão "los hermanos" que poderão conhecer melhor os produtos cearenses.

TV - Na próxima segunda-feira, a partir das 18 horas, no Canal FDR, o programa Economia com Neila Fontenele entrevista o presidente da Câmara Brasil-Argentina, Rômulo Alexandre Soares, e seu diretor financeiro, Hermes Monteiro.

 

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