
Neila Fontenele é editora-chefe e colunista do caderno Ciência & Saúde do O POVO. A jornalista também comanda um programa na rádio O POVO CBN, que vai ao ar durante os sábados e também leva o nome do caderno
Neila Fontenele é editora-chefe e colunista do caderno Ciência & Saúde do O POVO. A jornalista também comanda um programa na rádio O POVO CBN, que vai ao ar durante os sábados e também leva o nome do caderno
Em março deste ano, a atriz Cláudia Ohana lançou o seu protesto na Avenida Paulista, em São Paulo, com a seguinte frase: "Nós não estamos velhas aos 62 anos" - em outras palavras: aos 62 anos a vida continua. Com isso, levantou-se novamente o debate sobre o etarismo, que afeta principalmente as mulheres. Semana passada, ela voltou a se posicionar, desta vez, sobre a roupa usada durante o protesto.
A reclamação de Cláudia Ohana reforça a revolução em curso por parte das representantes da Geração X (pessoas nascidas entre 1965 e 1980) através do rompimento de tabus, não associando o processo de envelhecimento à decadência física. Essa é uma nova etapa para a mudança no discurso sobre a maturidade.
Não se trata mais apenas de avanços nas pesquisas e de cuidados para uma velhice saudável ou para uma aparência mais jovem, mas também da forma como nomeamos as fases da vida e dos significados dados a ela. Retomando a atriz Leila Diniz, nos anos 1960, com seu biquíni e barrigão de grávida, Claudia Ohana usou um vestido tubinho curtíssimo e rebolou na Avenida Paulista com o seu cartaz para dizer que precisamos tratar o envelhecimento feminino de outra forma.
Quem é a velha? Velha é quem se acha e se coloca nesta posição (no sentido de decadente) independentemente do que os outros pensem ou digam. Ou seja: é muito mais do que idade ou aspecto físico ou até mesmo saúde (mesmo com todas essas condições interferindo diretamente na disposição para enfrentar tabus milenares).
Também vale lembrar que as pressões sociais começam cedo; por volta dos 30 anos pode vir a cobrança: "Não vai casar? Não vai ter filhos?". Depois, aos 40, começam as dificuldades no emprego. E, por volta dos 50 anos, ocorre a invisibilidade para novos relacionamentos afetivos.
A quem interessa a manutenção desses tais conceitos? Eis um novo momento e uma grande oportunidade para requalificar o termo "envelhescente", sem amarras para as liberdades individuais.
Com a crise ambiental, as questões de segurança alimentar ganham um peso maior. O Conselho Federal de Nutrição (CFN) levantou sua bandeira, chamando a atenção para a urgência de se repensar os sistemas alimentares. O alerta é para a possibilidade de eventos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas. Vale lembrar os acontecimentos no Rio Grande do Sul no ano passado, que interferiram na produção nacional de produtos importantes da cesta básica, como foi o caso do arroz.
Na segunda-feira passada, quando se comemorou o Dia Nacional da Saúde e Nutrição, o CFN destacou algumas estratégias para a promoção de sistemas alimentares melhores e resilientes. "Os nutricionistas podem orientar a população sobre escolhas alimentares mais sustentáveis, ajudando a minimizar o desperdício e incentivando o consumo de alimentos da sociobiodiversidade brasileira", diz Erika Carvalho, presidente do CFN.
Outro ponto reforçado pelo CFN: a valorização dos saberes alimentares de comunidades tradicionais — como indígenas, quilombolas e ribeirinhos — que há séculos mantêm práticas sustentáveis de cultivo e consumo. Segundo Erika, "essas populações oferecem exemplos concretos de equilíbrio entre segurança alimentar e preservação ambiental".
O Grupo Mulheres do Brasil lança hoje, às 18 horas, na cobertura da Federação das Indústrias (Fiec), o Observatório das Mulheres. A iniciativa faz parte do movimento "Juntos contra o HPV", na tentativa de eliminar o câncer de colo do útero, e será realizada com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A coordenação do movimento tem à frente a empresária Annette Reeves de Castro, cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil.
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