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Colunista de Economia, Neila Fontenele já foi editora da área e atualmente ancora o programa O POVO Economia da rádio O POVO/CBN e CBN Cariri.

NeilaFontenele • Opinião

Impacto diferente: ter dinheiro ou patrimônio

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Ocomércio e os serviços são os setores mais abalados pelo "lockdown" quase total, com a manutenção apenas de atividades essenciais. Quem está conseguindo postergar as vendas e oferecer soluções aos clientes apresenta resultados menos ruins. Infelizmente, nem todos conseguem esse tipo de ação. No turismo, por exemplo, a situação está muito difícil, com demissões e fechamento de empresas.

Em uma situação como essa, na avaliação de sócio da KPMG no Nordeste, Eliardo Rodrigues, faz grande diferença entre ter patrimônio ou ter dinheiro para financiar o custo transitório da crise. Ou seja: quem tem capital financeiro para pagar as contas e aqueles cujos bens estão imobilizados.

Quem está na primeira situação tem mais folga para resolver a situação, diferente da segunda opção.

Caminhoneiros

MAIS DE UM ANO PARA RECUPERAR

Na avaliação do consultor da KPMG, os efeitos da situação podem ser comparados aos de uma guerra. Para retomar a economia, também vai ser necessário uma religação gradativa das atividades. Vale lembrar que, no caso da greve dos caminhoneiros, foi necessário mais de um ano para diminuir os efeitos da paralisação no emprego e nos indicadores do PIB.

Pedido

PRORROGAÇÃO DO IPVA

Com a crise, os pedidos para a postergação do pagamento de impostos continuam aumentando. O deputado estadual Heitor Férrer (SD), por exemplo, apresentou requerimento na Assembleia Legislativa pedindo a prorrogação dos prazos para o pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) 2020.

Eliardo Vieira, sócio da KPMG
Eliardo Vieira, sócio da KPMG (Foto: Divulgação)

Energia e saúde

Condições melhores

A quarentena tem afetado os setores da economia de forma diferente. Eliardo Rodrigues tem acompanhado a situação de muitas empresas e mostra como as realidades são diferentes.

O setor de energia renovável, segundo ele, se houver uma reabertura do funcionamento das atividades entre maio e junho, terá pouco impacto nos seus resultados.

A área da saúde no Ceará também é bem avaliada do ponto de vista econômico, mas passa por transformações fortes. O segmento tem deixado momentaneamente a área eletiva para focar no combate ao coronavírus. Nesse caso, as ações preventivas tornam os custos mais baixos; em compensação, a área de testes e atendimento aos doentes eleva os gastos.

Bancos

RETIRADA DO GUARDA-CHUVA

Há uma frase famosa atribuída ao escritor americano Mark Twain, que diz que o "banco é um estabelecimento que nos empresta um guarda-chuva num dia de sol e nos pede de volta quando começa a chover." A situação de calamidade comprova a veracidade da afirmação: diante da calamidade global provocada pela pandemia do coronavírus, as instituições financeiras que atuam no Brasil já deixaram claro que querem garantias do Tesouro Nacional para ajudar as empresas. No caso do Ceará, alguns lojistas dizem que a exceção é o Banco do Nordeste.

#NãoDemita

J. MACÊDO EM CAMPANHA

O grupo J. Macêdo abraçou a campanha "#NãoDemita" junto com empresas como Renner, Magalu, JBS, Microsoft, Porto Seguro, MRV Engenharia, PWC e Rede D'Or. Essas companhias se comprometem em manter seus quadros de profissionais. Há toda uma ação de conscientização das empresas para evitar o colapso econômico e social que pode ser provocado pelas demissões.

São essas ações que fazem a diferença. Vale lembrar que o desemprego em fevereiro, antes da pandemia, já havia crescido e atingido 11,6%. Ou seja: 12,3 milhões de desempregados.

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