Espaço dos correspondentes escolares do Programa O POVO Educação 2021. O programa reúne 140 jovens estudantes do ensino fundamental das redes pública e privada de Fortaleza. Os correspondentes participam de oficinas nas quais aprendem a editar jornais, roteirizar podcasts e apresentar programas de rádio, entre outras atividades
Há duas perspectivas sobre o feminicídio no Brasil: a matemática; uma perspectiva crescente onde só são contabilizadas as vítimas que possuem identidade, enredo e se tornam números. E há a perspectiva de identificação; mulheres tomando ciência e, portanto, percebendo o aumento de casos de maneira mais recorrente e íntima, temendo serem os próximos números, as próximas.
A verdade é que na época da inquisição, mulheres inteligentes, curandeiras, instruídas e que dominavam as ciências eram queimadas vivas em praças públicas por serem inadestráveis e por serem vistas não como indivíduo, mas como algo para: algo para gerar vida, algo para proporcionar prazer ao masculino, algo para manter a casa
em ordem.
Algo, não alguém.
Não houveram bruxos queimados em praças porque bruxos são homens, não mulheres. Digo, bruxos, com artigo masculino.
Mulheres seguem sendo queimadas, ainda que nem sempre de maneira literal por serem mulheres, por terem voz, por serem instruídas, por serem donas de si e detentoras de suas próprias vontades. Mulheres seguem sendo mulheres, portanto, ainda são expostas e reiteradamente incineradas.
Nos queimam em fogueiras, e você? Permanece assistindo parado?
Eu sou uma das milhares que sobreviveram, mas nem todas estão entre nós.
São 137 meninas e mulheres mortas diariamente por cônjuges ou familiares, 137 vidas ceifadas e silenciadas, cujo futuro foi roubado por seu valor ser inferiorizado e ditado por um artigo. Fazendo uma matemática rápida, considerando que 137 é o número diário de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas) e sabendo que um ano não bissexto tem 365 dias, temos mais de 50 mil vítimas.
50 mil meninas e mulheres.
Que sejamos a voz de todas as que se foram, das que estão aqui e são impedidas de falar, das que ainda não sabem como, das que carregam uma culpa que não lhes pertencem, das que sobreviveram.
Que tenhamos fome e sede de justiça.
E que sejamos ávidos em salvar as próximas.
Se a Idade Média voltar, que vençam
as bruxas!
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