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O doido e o poeta
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Espaço dos correspondentes escolares do Programa O POVO Educação 2021. O programa reúne 140 jovens estudantes do ensino fundamental das redes pública e privada de Fortaleza. Os correspondentes participam de oficinas nas quais aprendem a editar jornais, roteirizar podcasts e apresentar programas de rádio, entre outras atividades

O doido e o poeta

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Na esquina, havia um doido e um poeta

Dentre os quatro cidadãos da lista que segue:

Batista vagava pelas ruas em ode aos fuxicos sobre as vidas alheias.

Amélia andava nua de corpo,

com a consciência comprometida.

Odete corria depressa, sempre sem fôlego e com o olhar desviado.

José era médico especialista na arte do cinismo e em passar a perna nos seus.

José desfila todo dia nas estradas,

montando uma caminhonete.

A visão é de grandiosidade,

mas o coração é pequeno.

Choram suas Marias, suas meninas

e suas Madalenas,

Enquanto espera a pena de seus dias na morte.

Amália, coitada!

Mãe de dois filhos pródigos e um adolescente,

Só vivia como Odete: correndo contra o tempo,

Tudo para dar conta, tudo para haver tempo.

Com tempo para todos e sem tempo para si,

Perdia o fio de sua consciência.

Na rua, todos olhavam suas batalhas.

Diziam "lá vem a Amália da Francisca. Corre doida e desleixada. Filha de doido, doidinha é".

Batista era advogado da região,

Temido por tanta confusão.

O problema de Batista morava na sua língua:

Não falava de si, só falava dos outros

E de malgrado.

Pobre Batista!

Só desejava mal aos outros.

Tão acompanhado que só vivia

De conversas alheias, com nomes alheios

Atrapalhando os caminhos de quem não é alheio.

Julgava os poetas e os doidos como loucos e doentes, sem distinção.

"Louco é quem pragueja a vida dos outros" - dizia o mendigo analfabeto da esquina a Batista, sem grau nenhum de instrução jurídica.

Odete, filha de Amália, sofria o desafino

e desafinava nas missões,

Mas cantava a seguinte prece

Em todos os acordes que tocava:

"O louco se deixou vencer, o poeta escreve.

Mamãe, papai e titia,

todos da minha família, perdidos

Em suas próprias cabeças,

Vencidos pelo orgulho de não morrer nas belezas

De quem escreve para si

Como louco a contenda.

Melhor ser louco a contenda

do que doente a desfeita."

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