O passado e o presente
Distância longa ou curta
Lembrar daquele, refresca a mente
E deste, muito cuidado, em mão curta.
Tempo da bodega e não mercearia
Época do sossego e rara criminalidade
Entre as pessoas, aflorava alegria
Não se via, tamanha crueldade.
Era tempo do sermão e não homilia
A voz do padre, na missa dominical
Nas calçadas, sentavam-se as famílias
Não havia a intromissão do marginal.
Foi o tempo do cacimbão e não do poço
Tempo das peladas e pouco futebol
Das serenatas alegres e sem alvoroço
E nas carnaubeiras, o cantar do rouxinol.
Falava-se, carne de porco e não de suíno
Das praças zeladas e bem frequentadas
Vivia-se entre sérios e não entre vivaldinos
As casas eram livres e não de grades, cercadas.
Tempo em que as prefeituras recebiam cotas
Hoje, na malandragem, recebem as emendas
Com a corrupção levando o Brasil às costas
Tendo as extremas, como suas
infiéis prendas.
Foi o tempo em que a propaganda
Se resumia aos produtos comerciais
Hoje, a politicagem comanda
Propagandas de produtos eleitorais.
Tempo da légua e não do quilômetro
Das distâncias medidas,
nos arredores de Coreaú
Tempo do simples relógio e não do cronômetro
Andei muito a pé, as três léguas, de Coreaú ao Cunhassu.
Lembro de tudo e de todos
Da minha infância no meu Coreaú
Só em pescarias, usava-se engodos
E hoje, engodos outros, até lá no Cunhassu.
São coisas que o tempo levou!
Saudades!