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Jornalista, é mestra em Estudos da Tradução (UFC), especialista em Tradução (Uece) e pós- graduada em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais (Estácio FIC). No O POVO, já atuou como ombudsman, editora de Opinião, de Capa e de Economia, além de ter sido repórter de várias editorias.

Daniela Nogueira linguagem e comunicação

O Jornalismo precisa reagir à antivacina

Tipo Opinião

Enquanto parte do mundo dá início à vacinação, do lado de cá os brasileiros se dividem - os que anseiam pela imunização e acreditam na ciência, e os que continuam a propagar boatos reforçando o movimento antivacina, desacreditando da comunidade científica internacional. Por que a mídia não alcança suficientemente essa massa, a ponto de retificar essas mentiras? Por que não é tão crível quanto um líder religioso que espalha que uma vacina causa câncer e dissemina o vírus HIV? Ou por que não chega antes com informação a essas pessoas?

Essas crenças aparentemente genuínas, que o movimento antivacina insiste em difundir, não são recentes, mas ganharam força nesta pandemia e com a consequente evolução da criação de um imunizante contra a covid-19. No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu em um de seus relatórios o movimento antivacinação entre um dos 10 maiores riscos à saúde global. Estamos falando sobre o primeiro semestre de 2019, quando o novo coronavírus não era uma realidade explícita no mundo.

Os pesquisadores e as instituições científicas se preocupam com esse movimento porque ele põe em xeque o combate a doenças que há muito tempo eram consideradas erradicadas no Brasil. Há quem alegue falta de confiança nas informações científicas para se vacinar, há quem cite razões religiosas, há quem justifique a não vacinação por dificuldades de acesso.

Toda essa discussão volta à tona neste momento, quando o Brasil se vê às vésperas da vacinação contra o novo coronavírus. É oportuna. Ao mesmo tempo em que estamos diante de um cenário tão polarizado em relação ao apoio às vacinas, parece razoável que qualquer argumentação contrária se esvai quando contraposta com fundamentos da ciência. Na prática, não é bem assim que ocorre.

 

Ciência

Enquanto parte do mundo dá início à vacinação, do lado de cá os brasileiros se dividem - os que anseiam pela imunização e acreditam na ciência, e os que continuam a propagar boatos reforçando o movimento antivacina, desacreditando da comunidade científica internacional. Por que a mídia não alcança suficientemente essa massa, a ponto de retificar essas mentiras? Por que não é tão crível quanto um líder religioso que espalha que uma vacina causa câncer e dissemina o vírus HIV? Ou por que não chega antes com informação a essas pessoas?

Essas crenças aparentemente genuínas, que o movimento antivacina insiste em difundir, não são recentes, mas ganharam força nesta pandemia e com a consequente evolução da criação de um imunizante contra a covid-19. No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu em um de seus relatórios o movimento antivacinação entre um dos 10 maiores riscos à saúde global. Estamos falando sobre o primeiro semestre de 2019, quando o novo coronavírus não era uma realidade explícita no mundo.

Os pesquisadores e as instituições científicas se preocupam com esse movimento porque ele põe em xeque o combate a doenças que há muito tempo eram consideradas erradicadas no Brasil. Há quem alegue falta de confiança nas informações científicas para se vacinar, há quem cite razões religiosas, há quem justifique a não vacinação por dificuldades de acesso.

Toda essa discussão volta à tona neste momento, quando o Brasil se vê às vésperas da vacinação contra o novo coronavírus. É oportuna. Ao mesmo tempo em que estamos diante de um cenário tão polarizado em relação ao apoio às vacinas, parece razoável que qualquer argumentação contrária se esvai quando contraposta com fundamentos da ciência. Na prática, não é bem assim que ocorre.

Ciência

Na semana que passou, um vídeo de um pastor cearense circulou pelas redes sociais, causou alarde em boa parte da população e chocou outra parte - pelas mentiras, pelo absurdo e pela disseminação das inverdades a partir de uma liderança que é ouvida e respeitada em sua comunidade.

No vídeo, o pastor diz que a vacina pode causar câncer, alterar o DNA de quem toma e que "tem HIV dentro". Foi alvo de ação do Ministério Público do Estado do Ceará. Logo depois, a assessoria do pastor se pronunciou, comentando que o trecho foi recortado de um vídeo de 40 minutos e que ele se baseou no entendimento de um cientista.

Uma afirmação dessas é capaz de causar um estrago imenso para a grande quantidade de fiéis que seguem a comunidade e acreditam em quem diz aquilo. Não se trata aqui de contrapor aspectos religiosos com teorias científicas. Estão ora em âmbitos diferentes. A questão é que a educação científica não chega com a mesma velocidade nem, muitas vezes, com o mesmo didatismo com que boatos se disseminam.

Há menos de uma década o movimento antivacina não era tão forte nem se discutia, por exemplo, a nacionalidade da imunização. Não havia questionamento acerca da obrigatoriedade de se vacinar nem descrédito aparente sobre agências reguladoras de saúde. Não temos conseguido nos comunicar com eficiência ao mesmo tempo em que a produção de conteúdo, inclusive os questionáveis e questionados, nas redes sociais de pessoas e grupos resistentes à vacinação tem crescido demasiadamente.

A imprensa tem acompanhado bem e feito uma cobertura com muita excelência dos estudos para a criação da vacina. No meio dos trâmites de pesquisa, percursos burocráticos para aprovação e finalmente liberação, há - sabemos - discursos que são entrave para o bem-estar da Nação, como as falas proferidas pelo presidente, que coloca em suspeição o imunizante a partir do país em que é criado. Isso é terrível para a ciência, é ótimo para a desinformação.

De acordo com pesquisa feita pelo Datafolha, neste dezembro, 73% dos brasileiros entrevistados dizem que querem se vacinar. Na primeira quinzena de agosto, esse número era de 89%. Agora, 22% dos entrevistados afirmam que não querem tomar a vacina. Em agosto, eram 9% dos que responderam à pesquisa.

Ainda precisamos reforçar bastante os meios pelos quais nos comunicamos e a forma como fazemos isso para atingir o público que precisa ser informado. A mídia sabe como fazer e tem as informações certas. As redes sociais, porém, com relatos pessoais, eivados de críticas e desconfiança, parecem, em muitos casos, chegar às pessoas de forma mais certeira. Nestas situações, em que a toada ideológica induz grande parte dos motivos, a informação deve prevalecer indiscutivelmente. E é do Jornalismo esse lugar.

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