É o(a) profissional cuja função é exclusivamente ouvir o leitor, ouvinte, internauta e o seguidor do Grupo de Comunicação O POVO, nas suas críticas, sugestões e comentários. Atualmente está no cargo o jornalista João Marcelo Sena, especialista em Política Internacional. Foi repórter de Esportes, de Cidades e editor de Capa do O POVO e de Política
Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Ex-presidente da República Jair Bolsonaro concede entrevista depois de se tornar réu por tentativa de golpe no Supremo Tribunal Federal
Como já era esperado, a semana que passou foi marcada pelo julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do processo de admissibilidade da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados, acusados pela Procuradoria-geral da República (PGR) de crimes como tentativas de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, além de outros tipos penais. Todos no esteio da trama golpista que tentou invalidar o resultado das eleições de 2022 e culminou nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro do ano seguinte.
O assunto estampou as capas dos principais jornais e portais do Brasil. Apenas os veículos de Minas Gerais justificadamente priorizaram um tema local - a morte de Fuad Noman, prefeito de Belo Horizonte. No âmbito digital, cada detalhe do julgamento na Primeira Turma da Corte transmitido pela maioria dos portais e canais de notícias logo virava atualização em tempo real.
Nos jornais impressos, as palavras “Bolsonaro” e “réu” foram indissociáveis. Na edição de quinta-feira, 27, O POVO foi na mesma linha e com uma capa menos ortodoxa. A primeira página destacou em letras graúdas o termo “réu”, com uma sequência de três fotos de Bolsonaro durante entrevista coletiva, e o fato de ele ser o primeiro ex-presidente a responder por crime contra a democracia.
Com o caminhar do julgamento, algumas falas justificavam a produção de novas matérias. A presença de Bolsonaro no primeiro dia de sessão, as manifestações do PGR Paulo Gonet, os argumentos dos advogados de defesa e os votos dos ministros foram devidamente noticiados, mas não receberam a devida visibilidade no portal. A manchete na home ao longo da quarta-feira seguia com o mesmo tom genérico do início da manhã: “STF retoma julgamento de denúncia contra Bolsonaro e aliados; assista ao vivo” era o dizer no começo da tarde. A troca só ocorreu quando o resultado favorável à admissibilidade do processo já estava concretizada.
Para o leitor do O POVO, foi mais proveitoso observar o julgamento pelo feed do Instagram, onde a cobertura teve mais dinamismo. Além das atualizações do placar, cortes de vídeos dos ministros proferindo os votos deixaram o acompanhamento mais ágil.
Transmissão multiplataforma
Nas redes sociais, O POVO fez uma transmissão multiplataforma do dia de julgamento no STF. A live do O POVO News não ficou restrita ao Youtube, sendo reproduzida também em outras redes como Instagram, Facebook e TikTok. Além da sessão, a live incluiu a entrevista coletiva concedida por Jair Bolsonaro na tarde de quarta-feira, momentos após a decisão.
Não é exagero nem novidade afirmar que o ex-presidente de extrema-direita consolidou uma trajetória no poder intimamente atrelada à desinformação. Acuado politicamente e com a perfeita consciência de que pode ir para trás das grades, Bolsonaro esbravejou e repetiu velhas ladainhas como os ataques às urnas eletrônicas, num discurso batido, sem fundamento ou provas, que só serve para confundir.
Mudando de assunto, mas ainda no Instagram. Nesta semana, dois sujeitos tiveram a ideia estúpida de subir em duas motos e sair saracoteando pelos corredores de um shopping center em Taboão da Serra, no interior de São Paulo, colocando em risco a vida de qualquer pessoa que tivesse o infortúnio de passar pela frente deles. Embora o vídeo tenha sido removido de seu perfil na rede social, o tal “influenciador de moto” teve seu objetivo alcançado, com vários portais de notícias repercutindo e reproduzindo as imagens que ele fez.
O POVO, via Instagram, foi um desses veículos, o que gerou críticas de leitores. Na postagem, a @ que identifica o perfil do autor do vídeo foi suprimida e borrada nas imagens, mas o nome dele constava na legenda da publicação, que também não avança para informar se houve algum tipo de punição a ele. Questionei a Redação no comentário interno se reproduzir o vídeo e dar visibilidade a uma presepada dessa foi mesmo a decisão mais acertada.
Editora de Mídias Sociais, Glenna Cherice destacou que dentro da equipe “houve um cuidado na divulgação do material para evitar dar visibilidade indevida”, se referindo à omissão da @ do influenciador que foi borrada no vídeo do O POVO.
“Um influencer, por si só, já carrega uma responsabilidade na sua imagem, e mostrar alguém cometendo algo irregular não significa simplesmente dar palco para essa pessoa. A notícia aqui é um influencer - que, de alguma forma, influencia - fazendo algo errado. A questão sobre noticiar algo errado sem citar nomes, por medo de dar fama para a pessoa, é um debate constante por aqui. Isso se aplica a diferentes situações, como facções, jogos irregulares e o uso de imagens que possam inflamar determinadas situações. Ampliar essa discussão sobre citar nomes ou não pode fazer a gente repensar a forma como produzimos vários conteúdos noticiosos”, afirma.
Após provocação, Glenna destaca que foi feita uma nova postagem atualizando o caso, mencionando a prisão dos envolvidos e por quais crimes e infrações eles iriam responder. “Vídeos factuais podem ter desdobramentos e novas abordagens ao longo do tempo. O desfecho nem sempre cabe em um único vídeo - depende da investigação, da apuração e das informações que vão surgindo. Hoje (sexta-feira), após o desfecho total, fizemos um compilado com narração e informações adicionais”, finaliza.
Ôpa! Tenho mais informações pra você. Acesse minha página
e clique no sino para receber notificações.
Esse conteúdo é de acesso exclusivo aos assinantes do OP+
Filmes, documentários, clube de descontos, reportagens, colunistas, jornal e muito mais
Conteúdo exclusivo para assinantes do OPOVO+. Já é assinante?
Entrar.
Estamos disponibilizando gratuitamente um conteúdo de acesso exclusivo de assinantes. Para mais colunas, vídeos e reportagens especiais como essas assine OPOVO +.