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Um olhar para a cobertura do julgamento no STF
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É o(a) profissional cuja função é exclusivamente ouvir o leitor, ouvinte, internauta e o seguidor do Grupo de Comunicação O POVO, nas suas críticas, sugestões e comentários. Atualmente está no cargo o jornalista João Marcelo Sena, especialista em Política Internacional. Foi repórter de Esportes, de Cidades e editor de Capa do O POVO e de Política

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Um olhar para a cobertura do julgamento no STF

Para o leitor do O POVO, foi mais proveitoso observar o julgamento pelo feed do Instagram, onde a cobertura teve mais dinamismo
Tipo Opinião
Ex-presidente da República Jair Bolsonaro concede entrevista depois de se tornar réu por tentativa de golpe no Supremo Tribunal Federal (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
Foto: Roque de Sá/Agência Senado Ex-presidente da República Jair Bolsonaro concede entrevista depois de se tornar réu por tentativa de golpe no Supremo Tribunal Federal

Como já era esperado, a semana que passou foi marcada pelo julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do processo de admissibilidade da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados, acusados pela Procuradoria-geral da República (PGR) de crimes como tentativas de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, além de outros tipos penais. Todos no esteio da trama golpista que tentou invalidar o resultado das eleições de 2022 e culminou nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro do ano seguinte.

O assunto estampou as capas dos principais jornais e portais do Brasil. Apenas os veículos de Minas Gerais justificadamente priorizaram um tema local - a morte de Fuad Noman, prefeito de Belo Horizonte. No âmbito digital, cada detalhe do julgamento na Primeira Turma da Corte transmitido pela maioria dos portais e canais de notícias logo virava atualização em tempo real.

Nos jornais impressos, as palavras “Bolsonaro” e “réu” foram indissociáveis. Na edição de quinta-feira, 27, O POVO foi na mesma linha e com uma capa menos ortodoxa. A primeira página destacou em letras graúdas o termo “réu”, com uma sequência de três fotos de Bolsonaro durante entrevista coletiva, e o fato de ele ser o primeiro ex-presidente a responder por crime contra a democracia.

No âmbito digital, O POVO também adotou uma lógica de cobertura semelhante às dos demais veículos. Ao longo da maior parte dos dois dias de julgamento no STF (terça-feira, 25, e quarta-feira, 26) a manchete do portal foi uma matéria que trazia um resumo do processo e direcionava o leitor para a 1ª edição do programa O POVO News no Youtube e para a transmissão ao vivo da sessão. E aqui reside um ponto de crítica.

Com o caminhar do julgamento, algumas falas justificavam a produção de novas matérias. A presença de Bolsonaro no primeiro dia de sessão, as manifestações do PGR Paulo Gonet, os argumentos dos advogados de defesa e os votos dos ministros foram devidamente noticiados, mas não receberam a devida visibilidade no portal. A manchete na home ao longo da quarta-feira seguia com o mesmo tom genérico do início da manhã: “STF retoma julgamento de denúncia contra Bolsonaro e aliados; assista ao vivo” era o dizer no começo da tarde. A troca só ocorreu quando o resultado favorável à admissibilidade do processo já estava concretizada.

Para o leitor do O POVO, foi mais proveitoso observar o julgamento pelo feed do Instagram, onde a cobertura teve mais dinamismo. Além das atualizações do placar, cortes de vídeos dos ministros proferindo os votos deixaram o acompanhamento mais ágil.

Transmissão multiplataforma

Nas redes sociais, O POVO fez uma transmissão multiplataforma do dia de julgamento no STF. A live do O POVO News não ficou restrita ao Youtube, sendo reproduzida também em outras redes como Instagram, Facebook e TikTok. Além da sessão, a live incluiu a entrevista coletiva concedida por Jair Bolsonaro na tarde de quarta-feira, momentos após a decisão.

Não é exagero nem novidade afirmar que o ex-presidente de extrema-direita consolidou uma trajetória no poder intimamente atrelada à desinformação. Acuado politicamente e com a perfeita consciência de que pode ir para trás das grades, Bolsonaro esbravejou e repetiu velhas ladainhas como os ataques às urnas eletrônicas, num discurso batido, sem fundamento ou provas, que só serve para confundir.

Felizmente, a cobertura do O POVO não ficou limitada a meramente reproduzir o discurso do ex-presidente sem uma leitura crítica. Como a transmissão estava integrada ao programa O POVO News, logo na sequência da entrevista coletiva vieram as análises dos apresentadores Marcos Tardin e Rachel Gomes e do repórter João Paulo Biage. A propósito, o texto do correspondente do O POVO em Brasília descrevendo com riqueza de detalhes o clima da entrevista coletiva do ex-presidente foi um dos pontos de destaque da cobertura.

“Influenciador de moto”

Mudando de assunto, mas ainda no Instagram. Nesta semana, dois sujeitos tiveram a ideia estúpida de subir em duas motos e sair saracoteando pelos corredores de um shopping center em Taboão da Serra, no interior de São Paulo, colocando em risco a vida de qualquer pessoa que tivesse o infortúnio de passar pela frente deles. Embora o vídeo tenha sido removido de seu perfil na rede social, o tal “influenciador de moto” teve seu objetivo alcançado, com vários portais de notícias repercutindo e reproduzindo as imagens que ele fez.

O POVO, via Instagram, foi um desses veículos, o que gerou críticas de leitores. Na postagem, a @ que identifica o perfil do autor do vídeo foi suprimida e borrada nas imagens, mas o nome dele constava na legenda da publicação, que também não avança para informar se houve algum tipo de punição a ele. Questionei a Redação no comentário interno se reproduzir o vídeo e dar visibilidade a uma presepada dessa foi mesmo a decisão mais acertada.

Editora de Mídias Sociais, Glenna Cherice destacou que dentro da equipe “houve um cuidado na divulgação do material para evitar dar visibilidade indevida”, se referindo à omissão da @ do influenciador que foi borrada no vídeo do O POVO.

“Um influencer, por si só, já carrega uma responsabilidade na sua imagem, e mostrar alguém cometendo algo irregular não significa simplesmente dar palco para essa pessoa. A notícia aqui é um influencer - que, de alguma forma, influencia - fazendo algo errado. A questão sobre noticiar algo errado sem citar nomes, por medo de dar fama para a pessoa, é um debate constante por aqui. Isso se aplica a diferentes situações, como facções, jogos irregulares e o uso de imagens que possam inflamar determinadas situações. Ampliar essa discussão sobre citar nomes ou não pode fazer a gente repensar a forma como produzimos vários conteúdos noticiosos”, afirma.

Após provocação, Glenna destaca que foi feita uma nova postagem atualizando o caso, mencionando a prisão dos envolvidos e por quais crimes e infrações eles iriam responder. “Vídeos factuais podem ter desdobramentos e novas abordagens ao longo do tempo. O desfecho nem sempre cabe em um único vídeo - depende da investigação, da apuração e das informações que vão surgindo. Hoje (sexta-feira), após o desfecho total, fizemos um compilado com narração e informações adicionais”, finaliza.

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