É o(a) profissional cuja função é exclusivamente ouvir o leitor, ouvinte, internauta e o seguidor do Grupo de Comunicação O POVO, nas suas críticas, sugestões e comentários. Atualmente está no cargo o jornalista João Marcelo Sena, especialista em Política Internacional. Foi repórter de Esportes, de Cidades e editor de Capa do O POVO e de Política
Lógico que o assunto da prisão de Bolsonaro não saiu das capas dos portais. Mas foi um fato histórico que logo depois de confirmado deixou de ser hegemônico no noticiário
Foto: STF/Divulgação
Bolsonaro usou ferro de solda em tornozeleira eletrônica
Uma semana que termina com a prisão preventiva de um ex-presidente por violar uma tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. Outra que começa com este mesmo ex-presidente iniciando o cumprimento da pena de 27 anos e três meses, condenado por liderar uma trama que tentou dar um golpe de Estado.
Soma-se a este evento a também inédita ida para o xilindró de três generais de Exército (quatro estrelas) e um almirante de Esquadra por integrar o mesmo núcleo golpista. Convenhamos, não foram dias quaisquer nesta República Federativa.
Um Brasil que acordou no último dia 22/11 um tanto incrédulo diante da forma rudimentar com que Jair Bolsonaro (PL) descumpriu as medidas cautelares. As informações começaram a pipocar logo nas primeiras horas da manhã daquele sábado. Michelle Bolsonaro estava no Ceará para um evento do PL Mulher, uma boa oportunidade para O POVO tentar repercutir com a ex-primeira-dama a prisão do marido.
Na avaliação interna que faço diariamente com a Redação, ao questionar a respeito, fui informado que foram feitas tentativas sem êxito de entrevistá-la no hotel onde estava hospedada e no Aeroporto. Tais procedimentos, assim como o drible de Michelle que logo voltou para Brasília, deveriam constar nas matérias sobre o caso.
Na Capital Federal, fez diferença a presença do correspondente João Paulo Biage, que incrementou a cobertura multiplataforma (portal, Rádio O POVO CBN e Youtube) com informações no quente dos acontecimentos.
No O POVO+, a reportagem “Bolsonaro preso: as fraturas da queda de um capitão”, publicada assim que confirmada a prisão do ex-presidente, já trazia algumas repercussões e projeções de rearranjo político em vistas a 2026. Nesse sentido, foi o único material escrito do O POVO, até ontem, que propôs uma análise mais robusta dos possíveis impactos eleitorais da prisão de Bolsonaro.
A capa do jornal impresso no último domingo, 23, dialogou com a que foi aplicada na primeira página da edição de 12/9, dia seguinte à condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) de Bolsonaro e do núcleo crucial da trama golpista. Esta, aliás, uma das capas campeãs de comentários no Whatsapp do ombudsman. Manteve-se a estética com uma foto reduzida do ex-presidente trocando o enunciado em letras graúdas “Democracia acima de tudo” por “Bolsonaro preso preventivamente”.
Nos dias seguintes, se manteve no O POVO uma linha de cobertura no jornal e no portal focando mais nas reações dos atores envolvidos - aliados e adversários do ex-presidente e defesas dos condenados - e menos nas análises das eventuais implicações políticas do caso no futuro. Detalhes de qual carceragem cada um vai ficar, por exemplo, se sobressaíram.
Algo notável em certa medida foi a velocidade com que um fato marcante do ponto de vista histórico deixou o protagonismo do noticiário, sobretudo de Política. E aqui falo não apenas do O POVO, mas da imprensa em geral.
Não tardou muito para o extraordinário ser digerido e virar ordinário. Lógico que o assunto da prisão de Bolsonaro não saiu das homes, mas não necessariamente estava nas manchetes ou naquele grupo de notícias principais destacadas nas capas dos portais.
Na home do portal O POVO, uma faixa especial com conteúdos sobre a Black Friday tomou já na quinta-feira, 27, o espaço antes ocupado por matérias acerca da trama golpista. Na política local, por exemplo, a aprovação do Plano Diretor de Fortaleza na Câmara Municipal foi um assunto que gerou tão ou mais burburinho que as alucinações ou os soluços alegados pela defesa de Bolsonaro para que ele volte à prisão domiciliar.
A nível nacional dois temas puxaram para si os holofotes. Um foi a sanção da isenção do Imposto de Renda para quem ganha menos de R$ 5 mil. O segundo foi a volta com todo vapor às turras entre Lula (PT) e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Especialmente este último, insatisfeito com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o posto de ministro do STF.
Uma possível explicação é que a prisão de Bolsonaro já estava de algum modo precificada. Apesar de detalhes que chamam a atenção como a violação da tornozeleira com um ferro de solda, era menos uma questão de se e mais uma de quando iria ocorrer, o que tem impacto nas percepções e interesses dos leitores. No fim das contas de uma política tão dinâmica como a brasileira, não demorou para prevalecer o embate entre os Poderes nosso de cada dia.
Capa sem manchete
Ainda sobre a capa do O POVO em papel, fugiu do convencional a edição da última quarta-feira, 26, dia seguinte ao trânsito em julgado da ação que condenou o núcleo crucial da trama golpista. A primeira página não trazia uma manchete ou mesmo alguma imagem para destacar o fato histórico. Em seu lugar, somente o texto a descrever a situação de cada um do grupo de sete condenados que passaram a cumprir pena.
Uma capa sem manchete não é um recurso inédito. O exemplo clássico dado nas faculdades de jornalismo é a primeira página do “Jornal do Brasil” do dia 12 de setembro de 1973.
Um dia após o golpe que resultou na derrubada e na morte de Salvador Allende, no Chile, o editor-chefe do “JB”, Alberto Dines, teve a ideia criativa de publicar uma capa sem manchete, somente com texto. Burlando, assim, a censura imposta pela ditadura militar brasileira, a qual ordenara que o episódio não fosse manchete dos jornais.
No caso da capa do O POVO da última quarta-feira, o recurso de utilizar somente texto reforçou o caráter documental do jornal impresso no registro de um fato histórico.
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