A história do Ceará e do mundo desde 1928, narrada pelas lentes do acervo de O POVO
A história do Ceará e do mundo desde 1928, narrada pelas lentes do acervo de O POVO
* desde 1928: As notícias
reproduzidas nesta
seção obedecem à grafia
da época em que foram
publicadas.
O mundo ficou chocado com o ataque de homens armados contra a sede do semanário satírico Charlie Hebdo, em Paris, ontem. Doze pessoas foram executadas a tiros e outras 11 ficaram feridas. Entre os mortos, estão quatro dos principais chargistas franceses: Wolinski, Charb, Cabu e Tignous. Após o atentado, uma grande operação envolvendo tropas de elite da Polícia foi deflagrada na cidade de Reims, no noroeste da França. Segundo a imprensa local, a Polícia identificou três suspeitos do crime. A redação do semanário, surpreendida em plena reunião de pauta, foi dizimada. Dois policiais morreram, um dos quais foi executado quando estava caído no chão, ferido. Entre os feridos, quatro estão em situação grave, segundo o procurador de Paris, François Molins, encarregado da investigação. Mais cedo, o presidente francês François Hollande dirigiu-se até o local da ação, confirmando que se tratava realmente de um ataque terrorista. O mais violento registrado na França em 40 anos. Segundo testemunhas, homens armados com fuzis Kalashnikov e um lança-foguetes invadiram a redação da publicação de humor Charlie Hebdo. Demonstrando sangue-frio e coordenação, dispararam tiros contra os funcionários do semanário. De acordo com fontes policiais, os autores do ataque gritaram "Vingamos o Profeta!", em referência a Maomé, alvo de charges publicadas há alguns anos pelo meio de comunicação, o que provocou revolta no mundo muçulmano.
Sem precedentes, o ataque mais sangrento cometido na França em décadas fez acreditar imediatamente em uma vingança dos radicais islâmicos contra o semanário, que publicou caricaturas do profeta Maomé em 2006. Os terroristas podem ter seguido orientações fornecidas pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), contra o qual tropas francesas atuam militarmente no Iraque. Ao abandonar o prédio, os criminosos atacaram um motorista e bateram em um veículo com o carro roubado. (das agências de notícias).
Polícia identifica suspeitos de atentado
O ataque ao jornal francês Charlie Hebdo foi planejado e executado por pelo menos três pessoas. Citando fontes na Polícia, o jornal Libération e a agência Associated Press afirmaram que eles já foram identificados. Seriam Saïd Kouachi, 34 anos, Chérif Kouachi, 32, e Hamyd Mourad, 18, franco-argelinos e moradores de Gennevilliers, na periferia de Paris. Até as 20 horas de ontem, a informação não foi confirmada pelo governo francês. Armados com fuzis Kalashnikov e encapuzados, dois homens mascarados entraram no prédio da redação, na rua Nicolas Appert, a 400 metros da praça da Bastilha. Doze pessoas foram mortas e outras 11 feridas e quatro estão em estado grave. Os terroristas foram direto para o segundo andar do edifício, onde era realizada a reunião de pauta da publicação, outra indicação de que o momento do atentado foi escolhido para causar o máximo de vítimas. O advogado do semanário, Richard Malka, disse que os terroristas separaram as mulheres e pediram para os homens se identificarem. Só então começaram a atirar à queima-roupa. Quatro eram os cérebros e os traços da Charlie Hebdo: o diretor de redação Stéphane Charbonnier, o Charb, Jean Cabut, o Cabu, Georges Wolinski e Bernard Verlhac, o Tignous. Oito dos mortos eram jornalistas/cartunistas, um era um convidado da redação e um funcionário da manutenção do prédio (baleado na recepção). Os terroristas mataram ainda policiais que protegiam o prédio em virtude das ameaças de extremistas. Franck Brinsolaro, encarregado da segurança de Charb, foi morto na redação, e Ahmed Merabet, fora do prédio. Ferido, Merabet agonizava na calçada, quando um dos terroristas voltou e disparou em sua cabeça. (Folhapress)
EDITORIAL:
Ataque covarde
Nada justifica o ataque terrorista, que covardemente se abateu sobre a revista francesa Charlie Hebdo, e terminou com o assassinato de doze pessoas. O governo francês prometeu uma "caçada sem precedentes" aos homens que atacaram a revista, cuja linha editorial iconoclasta satiriza gente poderosa, políticos, artistas e as religiões, sem poupar seus símbolos ou profetas, que eram objeto de caricaturas produzidas por seus cartunistas. Ao longo de sua história, a revista também colecionou confrontos com o governo francês, devido às suas críticas ácidas e irreverentes. A Charlie Hebdo exerce a liberdade de expressão em sua plenitude, considerando que tudo pode ser objeto de sua crítica ferina e de seus desenhos satíricos, sem deter-se frente ao poder econômico, político ou religioso, seja ele cristão, muçulmano ou judaico. Agora, surgem algumas vozes dizendo que a revista teria provocado o ataque, pois debochava do profeta Maomé. Porém, de maneira alguma deve se aceitar um argumento desse tipo, pois seria acatar que se pode suprimir pela força das armas a liberdade de imprensa e de expressão, direitos humanos inalienáveis, que devem ser defendidos até às últimas consequências. Em 2011, o escritório da publicação já havia sido atacado com uma bomba incendiária, devido a uma edição especial que trazia Maomé como "editor convidado". No ano passado, houve outra investida de extremistas e, desde então, a revista continuava a receber ameaças. As suspeitas pela responsabilidade do terrível massacre de ontem recaem sobre muçulmanos integristas. Porém, se é preciso condenar com veemência e sem tergiversações o ataque à revista e à sagrada liberdade de expressão, ao mesmo tempo é necessário rejeitar o preconceito generalizado contra os praticantes da religião muçulmana, que não podem ser responsabilizados por ações de segmentos ensandecidos. Líderes muçulmanos moderados, em todo o mundo, condenaram o ataque.
Entidades brasileiras repudiam atentado
Fazendo coro às críticas feitas por entidades classistas dos jornalistas, organizações ligadas à área no Brasil condenaram os ataques à redação do Charlie Hebdo realizados ontem em Paris e que deixou 12 mortos, entre eles 10 jornalistas. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) afirmou, em nota, que "trata-se de um ato terrorista, injustificável como toda ação do gênero". O diretor-executivo da entidade, Ricardo Pedreira, afirmou que "o princípio de qualquer convivência democrática é que todo mundo tem direito de se expressar da forma que quiser". A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) afirmou que "repudia a violência contra jornalistas, alertando a sociedade para o perigo da intolerância (seja política, religiosa ou de qualquer natureza) e do obscurantismo, que tem gerado ataques às liberdades de expressão e de imprensa". O presidente da entidade, Celso Schröder, que também é cartunista, lembrou que o Charlie Hebdo foi inspiração para a criação no Brasil do jornal satírico O Pasquim. "O Charlie tem sido um lugar de resistência contra o obscurantismo", declara, acrescentando que, para ele, a publicação segue como um exemplo de "humor contundente".
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