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Primeira reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Londres, com delegados de 51 países
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A história do Ceará e do mundo desde 1928, narrada pelas lentes do acervo de O POVO

Primeira reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Londres, com delegados de 51 países

Representantes de 51 nações iniciam a primeira Assembleia Geral da ONU no dia 10 de janeiro de 1946. O encontro tinha como missão "lançar as bases de um novo mundo". O Brasil integra as delegações presentes e desponta entre os países citados para o Conselho de Segurança
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Primeira Assembleia Geral da ONU (Foto: opovo é história)
Foto: opovo é história Primeira Assembleia Geral da ONU

* desde 1928: As notícias reproduzidas nesta seção obedecem à grafia da época em que foram publicadas.

9 de janeiro de 1946

Representantes de 51 nações vão reunir-se, amanhã, em Londre, para traçar os planos de segurança

Londres, 9 - Uma sub-comissão de dez pessoas realiza os preparativos finais para a reunião de amanhã, em que 51 nações traçarão planos para controlar a paz mundial.

Estão ultimando a agenda para a primeira assembléia das Nações Unidas.

Até hoje, haverá nesta capital, 50 ministros do Exterior. Molotov se encontra demasiado fatigado, após a Conferência de Moscou. O delegado da Rússia será Andrei Vichinsky, subcomissário do Exterior, que está examinando a situação política da Rumania e não se sabe quando chegará a Londres.

Byrnes já chegou.

Às 16 horas, o primeiro ministro britânico, em nome do país anfitrião, inaugurará os trabalhos com um discurso irradiado para todo o mundo.

Attice proclamará a esperança britânica na O. N. U., que é a maior esperança, e talvez única, de paz duradoura.

A seguir será eleito o presidente, e a assembléia adiará os trabalhos até sexta-feira. Haverá nesse dia uma série de eleições importantes: para o Conselho de Segurança, para o Conselho Social e Econômico e para o conselho de controle da energia atômica. Pouco depois os chefes de E.M. das cinco grandes potências se reunirão em Londres para estudar a maneira de dar força ao novo organismo.

Será organizado um exército internacional, que procurará que as nações do mundo observem as decisões da O. N. U.

As reuniões da Assembléia durarão seis semanas. Em março a Liga das Nações “morrerá” formalmente; nos primeiros dias do verão a Assembléia voltará a se reunir já em sua séde, “algures nos Estados Unidos”.
Os delegados brasileiros também já chegaram. O da Colômbia, Zulueta, pronunciará breve discurso em resposta ao rei, depois da Sua Majestade dar as boas vindas aos delegados no banquete oficial de hoje á noite. Tal honra coube á Colombia porque Zulueta foi presidente da comissão preparatória, e será encarregado de instaurar os trabalhos na primeira sessão.

A sra. Roosevelt, membro da delegação americana, passou a maior parte desta manhã em seu hotel em Londres, escrevendo o artigo diário para a cadeia de jornais em que colabora. Posteriormente assistiu a uma reunião da delegação americana, na embaixada dos Estados Unidos.

OITD_19460110aa01.jpg(Foto: opovo e historia)
Foto: opovo e historia OITD_19460110aa01.jpg

 

10 de janeiro de 1946

Fala o rei Jorge VI a representantes de 51 nações:

Londres, 10 - O rei da Inglaterra declarou aos delegados das cinquenta nações, ontem à noite, que os olhos de toda a humanidade se voltaram para eles, quando começassem hoje, as suas atividades na Assembléia da Organização das Nações Unidas, para lançar os alicerces.

Saudando aqueles delegados, no banquete que lhes ofereceu no Palácio de Saint James, o rei Jorge VI disse: “Está em vossas mãos construir ou desfazer a felicidade de milhões de vossos semelhantes e de milhões que ainda não nasceram. A vós cumprirá lançar as bases de um novo mundo, em que conflitos como esse que ultimamente nos levou ao limiar do aniquilamento não possam repetir-se e em que os homens e as mulheres tenham oportunidade de aplicar, plenamente, o que ha de bom em cada um. É um trabalho nobre o que tendes na Carta das Nações Unidas, que é um nobre instrumento. Nas discussões que tereis na Assembléia Geral é evidente que o problema da segurança reclamará a maior parte das vossas atenções. Mas o estabelecimento de um Conselho Econômico e Social e de um organismo especializado criará oportunidade de grande alcance para dar solução de outras questões de não menos importância. Do primeiro problema depende, em grande parte, o êxito do vosso trabalho. Os Estados amantes da paz poderão estimular a ampliação do auto-governo dos povos espalhados por todo o mundo. Quanto á Carta propriamente dita ela afirma a nossa fé na igualdade de direito dos homens e das mulheres das nações grandes ou pequenas - é o reconhecimento de um principio vital que os nossos inimigos vão tentaram destruir.”

Primeira Assembleia Geral da ONU(Foto: opovo é história)
Foto: opovo é história Primeira Assembleia Geral da ONU

12 de janeiro de 1946

O Brasil será um dos 16 membros do Conselho de Segurança Mundial

Londres, 12 - A Assembléia Geral da UNU, em sua sessão de hoje, deverá encarar talvez a sua mais importante tarefa: “A eleição dos 16 membros não permanentes do Conselho de Segurança, o mais poderoso orgão da UNO”. Os Estados Unidos, a França e a China são membros permanentes do Conselho de Segurança e seis membros não permanentes serão eleitos amanhã e terão um mandato de dois anos. O Conselho de Segurança, como instrumento de plenos poderes das Nações Unidas, está investido de grandes responsabilidades e autoridades ás quais se adiciona agora a de fiscalização da Comissão de Controle de Energia Atômica, a ser estabelecida de conformidade com o recente acordo de Moscou, entre os ministros do Exterior dos “Três Grandes”. O Conselho tem direito de investigar quaisquer disputas e recomendar a solução, embora muitas questões possam ser tratadas pelo Tribunal Internacional de Justiça. Se algum Estado ignorar as recomendações do Conselho de Segurança sobre a liquidação de qualquer disputa, o Conselho tem poderes para pedir a todos os membros da UNO o “boicot” ou o bloqueio de culpado ou empregar a força armada contra ele. As medidas militares seriam tomadas ao aviso da secção militar do Comitê, que se compõe dos chefes de estado maior da Russia, Estados Unidos, França e China.

As decisões do Conselho serão tomadas por todos os sete membros, inclusive pelos dois permanentes. Isso implica no direito do veto para as cinco grandes potencias. Embora os Cinco Grandes, em virtude das disposições de veto, devam dominar o Conselho de Segurança, é intensa a competição para a conquista dos seis lugares a serem preenchidos, amanhã. Entre os paises mencionados como possiveis membros do Conselho se contam o Canadá, o Brasil, a Colombia, a Australia e o Egito.

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