Doutor em Sociologia pela Universidade de Paris I. Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador do Núcleo de Cidadania, Exclusão e Processos de Mudança (Nucem – UFPE)
Doutor em Sociologia pela Universidade de Paris I. Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador do Núcleo de Cidadania, Exclusão e Processos de Mudança (Nucem – UFPE)
O filme "Jovens mães' dos cineastas belgas Jean-Pierre e Lucas Dardenne, de 2025, aborda o delicado tema da maternidade de adolescentes mulheres que vivem em situações de precariedade. A película é ritmada por uma intensidade afetiva que revela as lutas por sobrevivência das jovens mães em um presente que se atualiza por relações emocionalmente precárias.
Nas cenas em que as jovens confrontam seus destinos fica claro como a maternidade se converte num drama intrigante quando se tem que lidar com o evento sobre-humano complexo da reprodução da espécie. Precariedade financeira, drogas e relacionamentos perversos são apenas sintomas da crueldade de um mundo que abandona os humanos à lógica utilitarista do mercado.
As dificuldades estruturais das jovens com as ancestralidades aparecem como sombras que atormentam as lutas desesperadas no presente, revelando o peso avassalador das conexões intergeracionais. Mas a trama de uma juventude guiada por um fio de esperança ganha alento com o fato de que o desejo de viver emerge como uma árvore de vida que insiste em continuar a crescer e dar frutos apesar da hostilidade do entorno social e cultural.
Dois fatos no filme revelam a força deste alento. Um deles é a importância de políticas sociais conduzidas por profissionais do serviço social, sobretudo mulheres, que se entregam à missão de cuidar das jovens mães, ajudando-as a caminhar como adultas nas estradas da vida. A outra, o valor da arte como alternativa possível para permitir que o desejo de sobreviver não seja apenas uma luta insana contra a morte.
No filme, a arte surge como inspiração para a liberação de corpos que desejam se reconhecer como flores de um jardim, vibrando como os raios de sol que iluminam novos horizontes de acolhimento. Esta potência radiante da arte está sempre aí para lembrar que embora o tempo seja apenas uma experiência passageira, ele é o fio da esperança que nutre as imagens sonhadas de mundos humanos mais viáveis.
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