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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Apostar no "diálogo" com Bolsonaro equivale a crer nas promessas de "moderação" do Talibã

O que os governadores precisam fazer é arrochar o controle das Polícias Militares, na qual se choca um dos ovos da serpente bolsonariana.

Sei que política é a arte da negociação e o acordo possível na reunião de governadores foi pedir uma audiência com o presidente Jair Bolsonaro na tentativa de “diminuir a tensão entre os poderes”. Na verdade, nem mesmo os chefes de Executivos estaduais bolsonaristas devem crer que é possível deter o pendores golpistas da Bolsonaro, que age como um caminhão desembestado sem freios descendo uma ladeira.

Bolsonaro sempre falou — e continuará a falar — para a parcela fanatizada de seus seguidores, pois não existe “plano “B” para a tática traçada para alcançar a sua estratégia de se manter no poder, mesmo à custa de um golpe.

Alguns argumentam que essa tática de Bolsonaro seria equivocada, pois teria dificuldade em agregar apoio de setores mais moderados. Aí entram dois aspectos:

A) um, talvez de natureza psicológica: o presidente só consegue ter um mínimo de funcionalidade no caos, pois não conhece outra forma de interação social e política, a não ser aquela baseada na violência.

B) Outro que é típico da extrema direita criar um caldo de cultura de modo a promover uma guerra de todos contra todos, inclusive nas próprias fileiras, mantendo intocado o “líder”, que tem a palavra final, ainda que esta possa mudar a cada cinco minutos.

Por isso, os governadores perderão o seu tempo buscando conciliação com quem só sabe atuar armado até os dentes, simbolicamente (com ataques, xingamentos e ameaças) e literalmente, vide policiais militares e milicianos.

A tendência é Bolsonaro tornar-se cada vez mais violento, pois tem de justificar à horda a rendição ao Centrão, que passou de bicho papão a amigão de infância (com as desculpas pela rima). É o mesmo movimento, só que com mais violência, feito quando o presidente precisou defenestrar Sérgio Moro do Ministério da Justiça, o anjo decaído do bolsonarismo.

Assim sendo, apostar no “diálogo” com Bolsonaro equivale a acreditar nas promessas de "moderação" do Talibã.

O que os governadores precisam fazer é arrochar o controle das Polícias Militares, na qual se choca um dos ovos da serpente bolsonariana.

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