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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Vacinação de adolescentes foi suspensa por pressão de Bolsonaro

O presidente está misturarando politicagem com saúde, o que é aceito por Pazue…, digo, Queiroga, afinal a lei é "um manda e outro obedece".

Partamos do princípio que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, poderia estar certo quanto ao adiamento da vacinação dos jovens, se o motivo fosse beneficiar outras faixas etárias, mais suscetíveis a desenvolver complicações graves em caso de contaminação com Covid-19.

Mas por que, então, poucos dias antes (2/9/2021) o próprio Ministério da Saúde anunciara que, a partir de quarta-feira (15/9/2021), os adolescentes deveriam ser vacinados? O que teria acontecido nesse interregno para a orientação ser suspensa no dia em que deveria ser implementada?

A resposta é: pressão do presidente da República, Jair Bolsonaro.

Como todos sabem, o capitão é versado em charlatanismologia, como demonstrou amplamente ao receitar cloroquina para combater a doença, de modo, dizia ele, que se pudesse evitar a vacina, que transformaria todo mundo em jacaré.

Alguns bolsonarianos convictos, leitores fiéis desta coluna, hão de exclamar: “Lá vem esse cara de novo a falar mal do nosso mito”.

Mas, sinto desapontá-los, quem disse ter sofrido pressão de Bolsonaro foi o próprio ministro: “O presidente me cobra todo dia essas questões de vacinação, sobretudo com essa questão dos adolescentes”, choramingou Pazue…, quero dizer, Queiroga.

Portanto, voltando ao primeiro parágrafo, o ministro não precisava mentir, como está mentindo, para justificar o seu recuo. Bastava dizer: gente, temos poucas vacinas e optamos por imunizar as pessoas que correm maior risco.

(Noves fora, o fato de os especialistas defenderem a imunização dos jovens pois, mesmo que a doença não os atinja com tanta virulência, eles são transmissores do novo coronavírus.)

Mas, se fizesse isso, teria de admitir o embuste do “excesso de vacinas”. E pior, deixaria de cumprir fielmente as ordens do presidente, que incluem instalar dúvidas quanto à segurança dos imunizantes.

Então, como se diz no Ceará, além da queda, coice. Pazue..., digo, Queiroga cumpriu fielmente as ordens bolsonarianas: mandou suspender a vacinação para adolescentes, alegando prevenir “efeitos adversos”, e citou 1.500 supostos casos, 0.042% do total de jovens imunizados.

Por isso Queiroz fica todo nervosinho quando é entrevistado: não tem coragem de confrontar o presidente com a ciência (da qual devia ser um representante), mas fica arengando com os repórteres.

O fato é que se houve alguma melhora no ministério da Saúde com a saída do antigo titular, ela está dando ré gora, com o presidente voltando a misturar politicagem com saúde, o que é aceito por Pazue…, digo, Queiroga, afinal a lei é “um manda e outro obedece”.

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