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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Bolsonaro domesticado será mais uma carta no jogo da elite

O problema é que o plano bate de frente com a natureza intolerante, agressiva e descontrolada do presidente. Até quando ele conseguirá simular uma falsa civilidade?

Em entrevista à revista Veja, publicada hoje (24/9/2021), o presidente da República, Jair Bolsonaro, retomou o seu assunto predileto: falar de um Brasil paralelo, inaugurado por ele, que só existe na distorção de sua cabeça e na franja fanática que o segue.

Entretanto, ele foi além, ao comentar as manifestações de 7 de Setembro. Disse que havia seguidores querendo que ele “chutasse o pau da barraca”, fazendo algo “fora das quatro linhas” da Constituição. No ato, Bolsonaro disse que desafiaria o Supremo Tribunal Federal (STF), descumprindo ordens emitidas pela Corte.

No entanto, reconheceu que ultrapassou limites ao atacar o STF, justificando o recuo, que ocorreu com “Declaração à Nação”, redigida pelo ex-presidente Michel Temer.

Na nota oficial disse que “não teve a intenção de agredir quaisquer dos poderes”, atribuindo os ataques ao Supremo ao “calor do momento”. À Veja garantiu ter o objetivo de “acalmar tudo”, adicionando que “a chance de golpe é zero”.

Bolsonaro está com a popularidade em queda acentuada: 53% dos brasileiros consideram o governo ruim; 55% o veem como mentiroso (não confiam em nada do que ele diz), e fica atrás nas pesquisas eleitorais, perdendo para qualquer candidato no segundo turno.

E tem mais: com uma pesquisa mostrando que Lula pode ganhar a eleição presidencial no primeiro turno, a CPI da Pandemia mordendo-lhe os calcanhares, e com os quatros filhos envolvidos em irregularidades, bateu o desespero em Bolsonaro.

Esses fatos devem ter acendido o alerta de que não basta falar apenas para os malucos do “cercadinho”, para o tiozão do Zap, e para os maníacos que infestam as redes sociais bolsonarianas, crentes e disseminadores das mentiras veiculadas pelo gabinete do ódio. 

Por isso, na entrevista à Veja, Bolsonaro antecipa uma nova forma de se relacionar com a imprensa, até agora baseada unicamente em atacá-la. Em sua “live” de quinta-feira, disse que estava disposto a voltar a conversar “isoladamente” com alguns veículos de comunicação.

Seus aliados “de cima” devem estar roendo as unhas para que ele se controle, pois será mais uma carta no jogo da elite. Se naufragar a terceira via, por que não unificar-se novamente em torno de um Bolsonaro agora devidamente domesticado? Não esquecer que Temer pode ter sido apenas o elemento visível, o batedor de uma turma que habita os campos e as bandas das avenidas Paulista e Faria Lima.

O problema é que o plano bate de frente com a natureza intolerante, agressiva e descontrolada de Bolsonaro. Até quando ele conseguirá simular uma falsa civilidade?

 

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