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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

"Se há uma lição a ser aprendida é que a desigualdade é sempre uma escolha política"

O resultado desastroso é atribuído à pandemia — que deixou os bilionários mais ricos e castigou os mais pobres — e da crise econômica neoliberal, patrocinada pela dupla Jair Bolsonaro e Paulo Guedes

No Brasil é assim: 1% da fatia mais rica da população passa o rodo em 50% da riqueza produzida; a metade mais pobre sacrifica-se com 1% da renda gerada no País. Os dados são do estudo mais recente do World Inequality Report 2022 (relatório da desigualdade mundial), divulgado pelo World Inequality Lab, dirigido pelo economista Thomas Pikettty, autor do livro “O capital no século XXI”.

Terra arrasada
O resultado desastroso é atribuído à pandemia — que deixou os bilionários mais ricos e castigou os mais pobres — e da crise econômica neoliberal, patrocinada pela dupla Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, o sr. Rolando Lero. A política de terra arrasada conduzida pelo governo gerou desemprego, redução na renda e aumento da miséria e da fome.

Mais desigual
Os economistas que conduziram o estudo afirmam que o Brasil tornou-se um dos países mais desiguais do mundo, com os 10% mais ricos da população abarcando 59% da renda nacional, restando à metade da população o resto de 10% do total.

Bolsa Família
Segundo o relatório, “desde os anos 2000, a desigualdade salarial foi reduzida no Brasil e milhões de indivíduos tirados da pobreza, em grande parte graças a programas governamentais, como o aumento do salário mínimo ou Bolsa Família”, afirma o relatório.

Reforma tributária
“Ao mesmo tempo — continua o estudo —, na ausência de grandes reformas tributárias e agrárias, a desigualdade de renda geral permaneceu virtualmente inalterada”. Lembrando que nos seus 14,5 anos de mandato (Lula e Dilma) o PT, apesar dos avanços nas área de combate à pobreza e da melhoria na educação, também não teve coragem de mexer no assunto, de modo a tornar a cobrança de impostos mais justa.

Impostos
No Brasil, os impostos impõem uma pesada carga aos mais pobres, aliviando as contas dos mais ricos, pois o tributo é cobrado de forma regressiva, em vez de prevalecer a progressividade. Traduzindo: quem ganha mais paga menos; quem ganha menos paga mais impostos.

Prêmio Nobel
Em nível mundial, a situação também é desastrosa, com 10% mais ricos arrebanhando 76% do patrimônio do planeta, enquanto metade da população da terra padece na pobreza. Dados do relatório mostram que 1% no topo da pirâmide ficou com 38% de toda a riqueza adicional acumulada desde meados da década de 1990, com aceleração desde 2020. “De maneira mais geral, a desigualdade de riqueza permanece em níveis extremos em todas as regiões”, anota o relatório, que foi prefaciado pelos dois ganhadores do Prêmio Nobel em 2019, Abhijit Banerjee e Esther Duflo.

Chancel
Segundo Lucas Chancel, principal autor do relatório, “a crise da Covid exacerbou as desigualdades entre os muito ricos e o resto da população. No entanto, nos países ricos, a intervenção governamental evitou o aumento maciço da pobreza, o que não aconteceu nos países pobres. Isso mostra a importância dos estados sociais na luta contra a pobreza”.

Lição
Para Chancel, “se há uma lição a ser aprendida com pesquisa global mostrada no relatório, é que a desigualdade é sempre uma escolha política”.

A questão é saber até que ponto essa situação será tolerada, sem que haja uma explosão de violência que arraste a tudo e a todos.


***
PS. No World Inequality Database você pode ter acesso a todos aos dados analisados pelos pesquisadores, com acesso a um panorama mundial, gráficos por país, e conjunto de dados para baixar. Inclusive uma calucladora mostrando onde você está, de acordo com seu rendimento, na escala de distribuição de renda e riqueza.

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