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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

General Heleno, um homem desprezível, porém perigoso

Sua façanha mais recente foi dizer que precisa tomar diariamente calmantes "na veia" para não orientar o presidente Jair Bolsonaro a tomar uma "atitude mais drástica" contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

O general de Exército Augusto Heleno, é um homem desprezível, porém perigoso. Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, considera-se (ou é) o conselheiro mais próximo do presidente Jair Bolsonaro, com o qual disputa para ver quem está mais à extrema da direita. Sem ter o que fazer, sua principal ocupação é atacar a democracia e ofender as instituições brasileiras, principalmente o Supremo Tribunal Federal (STF).

Façanha
Sua façanha mais recente foi dizer que precisa tomar diariamente calmantes "na veia" para não orientar o presidente Jair Bolsonaro a tomar uma "atitude mais drástica" contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Destituir ministros? Mandar um cabo e um soldado para fechar o STF?

Abin
Ele falava, em um ambiente fechado, na conclusão de um curso de Aperfeiçoamento e Inteligência para agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A notícia foi divulgada na coluna do jornalista Gilberto Amado, do portal de notícias Metrópoles, que obteve gravação com a ameaça do general.

A corda
Disse ainda que o Supremo está "tentando esticar a corda até arrebentar” a relação com o poder Executivo, culpando, principalmente "dois ou três ministros", sem citar nomes. Também disse que "rezará" para que Bolsonaro não sofra um atentado no próximo ano.

Instituições
Há quem diga que as instituições brasileiras estão “sólidas” e que não haveria risco de golpe no País. No entanto, somente o fato de esse assunto permanecer na ordem do dia, é um forte indicativo de que o perigo espreita por detrás de fardas traiçoeiras.

Heleno, em sua vida militar tem um histórico de defesa de regimes de força, tendência à qual ele dá continuidade livremente no atual governo.

Consequências imprevisíveis
Em maio de 2020, quando foi pedida a apreensão de celulares do presidente e de seu filho Carlos Bolsonaro, o general Heleno emitiu um comunicado com título "Nota à nação brasileira" (o tom do liliputiano é sempre hiperbólico), ameaçando que haveria "consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional".

Artigo 142
Em agosto de 2021 Heleno declarou que o artigo 142 da Constituição permitia a intervenção das Forças Armadas como “poder moderador”, em caso de impasse entre os poderes. Ocorre que o artigo 142 é uma espécie de terra plana para os golpistas, pois qualquer pessoa alfabetizada, lendo o artigo, vai constatar que ele trata do uso eventual das Forças Armadas na segurança pública.

Má qualidade
Há outros exemplos de ameaças perpetradas pelo general Heleno, porém esses já bastam para mostrar a sua má qualidade como ser humano.

O que a história registrará desse personagem de triste figura, talvez seja as suas qualidades como cantor, quando fez uma paródia da música “Se gritar, pega ladrão…”, em uma convenção do PSL, quando Bolsonaro ainda era candidato. Dirigindo-se aos então adversários, supostamente corruptos, cantarolou: “Se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão…”

Hoje, Heleno e Bolsonaro estão confortavelmente refestalados nos braços daqueles que, quando o que valia era a saliva — e não o trabalho duro de governar —, eles chamavam de ladrões e corruptos. Agora, estão no meio deles.

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