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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Ninguém pode acusar Bolsonaro de ter enganado o eleitor

Políticos afirmarem hoje que "ninguém" poderia avaliar o desastre que seria Bolsonaro, ou que o governo está "pior do que a gente poderia imaginar", são ofensas à inteligência alheia.

Virou modinha alguns políticos alegaram que não podiam imaginar, nos idos de 2018, que, eleito, o presidente Jair Bolsonaro seria capaz de fazer todo o mal que fazia questão de garantir que faria.

Arrependidos
É difícil relacionar todos os “arrependidos” ou aqueles que, desesperadamente tentam justificar o apoio ou a inércia no segundo turno das eleições de 2018. Ficarei com apenas dois: João Amoêdo, do partido Novo, e a senadora Simone Tebet (MDB-MS), pré-candidata a presidente.

Amoêdo
Comecemos por Amoêdo. Ele costuma dizer por aí que Bolsonaro é “pior do que a gente imaginava”, tendo votado no traste no segundo turno de 2018. Em possível segundo turno na próxima eleição, entre Lula e o presidente, votará nulo, segundo diz, apelando para a velha e falsa equivalência entre ambos.

Política
Observem, João Amoêdo está no política pelo menos desde 2010, é cofundador do partido Novo, tendo exercido sua presidência por sete anos; foi candidato presidente em 2018. Antes, teve uma carreira de sucesso no sistema financeiro. Portanto, é uma pessoa com experiência. Será que ele selecionaria um uma pessoa com a capivara de Bolsonaro para trabalhar em uma das empresas que dirigiu?

Simone Tebet segue a mesma trilha:

“Ninguém podia imaginar uma gestão tão ruim, nem que o presidente Bolsonaro pudesse entrar para a história como o pior presidente da história do Brasil. Ninguém imaginava que ele poderia namorar com o autoritarismo ou ameaçar as instituições democráticas e tentar mudar todo o pensamento de uma geração com o discurso de ódio contra as minorias”. (Diário de Notícias, Portugal, 26/12/2021)

Avisos
Como assim, “ninguém imaginaria”? Não faltaram pessoas — de políticos a jornalistas — para alertar que Bolsonaro era aquilo mesmo que ele mesmo fazia questão de anunciar aos quatro ventos: misógino, homofóbico, racista, preconceituoso, defensor de ditaduras, devoto de torturadores, adepto da eliminação física de oponentes políticos, corrupto (segundo Ciro Gomes, quando deputado, ele roubava dinheiro da gasolina do gabinete e mantinha funcionários fantasmas).

Incompetência
Além disso, era pública e notória a sua incompetência: nos quase 30 anos que folgou na Câmara Federal, a principal ocupação de Bolsonaro era deambular por programas populares de TV para vomitar o seu ódio e seus preconceitos.

Inteligência
Simone, como ficou demonstrado amplamente para todo o Brasil na CPI Pandemia, é uma mulher inteligente, preparada e estudiosa. Além disso, tem ampla experiência política: no Senado desde 2015, ocupou funções importantes na Casa. Antes, foi deputada estadual, vice-governadora de Mato Grosso do Sul e prefeita de Três Lagoas, cidade com 125 mil habitantes, terceiro município mais populoso do estado.

Folha corrida
Pode, alguém com esse cabedal de conhecimento e experiência, passando uma vista na folha corrida de Bolsonaro, não lhe passar pela cabeça o desastre que se anunciava? Difícil acreditar. É uma ofensa à inteligência alheia.

Voto secreto
No entanto, perguntada pelo jornalista português, Simone recusou-se a dizer em qual candidato votou em 2018. Alegou que “o voto é secreto”. Ora, o voto é secreto para proteger o eleitor de pressões indevidas. A um patrão como Luciano Hang (dono das lojas Havan), por exemplo, o empregado — se tiver medo de perder o emprego — pode mostrar-se favorável a Bolsonaro e, no sigilo da urna, votar em outro candidato.

Por óbvio, não é o caso da senadora Simone Tebet, pois ninguém teria o poder de pressioná-la. Aliás, político deveria ter a obrigação de anunciar em que vota. Mas, talvez, a senadora seja o raro caso de um político que se nega a revelar seu voto

Justificativa
Assim, é difícil saber por que a senadora deu essa declaração. Talvez queira justificar a si mesma por alguma decisão política da qual se arrependa.

Foto do Plínio Bortolotti

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