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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Contrarreforma trabalhista, por que não?

Na Espanha, a revisão de algumas medidas foi feita sob um amplo acordo, reunindo trabalhadores, empresários e governo. Então, por que o tema incomoda tanto no Brasil, como se fosse um tabu?

É previsível que declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham o poder de provocar tremores nos “liberais” e em alguns colunistas da imprensa. É bom, do ponto de vista do Partido dos Trabalhadores, pois fosse um zé mané qualquer ninguém ligava.

Mas a verdade é que o PT, na delimitação das quatro linhas do discurso, terá menos espaço para jogar do que seus adversários. Os que falam a linguagem da Faria Lima vão sempre tentar roubar-lhe a bola, mesmo à custa de carrinhos e chutes na canela.

O “mercado” teme que Lula governe com uma agenda voltada para os pobres e não para os banqueiros, apesar de a banca ter-se dado muito bem no governo petista.

Mesmo cercado por todos os lados — da “terceira via” à extrema direita — o PT tem a maioria dos torcedores com ele, segundo as pesquisas. É justo o arrocho que lhe impõem os adversários, pois quem se destaca tem de estar disposto a pagar o preço da fama.

Foi assim que um pequeno terremoto papocou quando a presidente do PT, Gleisi Hoffmann anotou em seu Twitter: “Argentina revoga privatização de empresa de energia elétrica e Espanha a reforma trabalhista que retirou direitos”, classificando as medidas de “alvissareiras”.

Lula foi mais discreto. Escreveu em suas redes sociais que a contrarreforma trabalhista espanhola tinha de ser “acompanhada de perto”, por estar recuperando “direitos de trabalhadores” — e não foi além disso.

Foi o suficiente para a polêmica estalar, como se fosse pecado referir-se à sacrossanta reforma promovida no governo de Michel Temer.

No entanto, é óbvio que a reforma temerária garfou os trabalhadores em vários direitos. Implementou absurdos como excluir sindicatos da conferência das rescisões; proibiu o reconhecimento de vínculo empregatício, mesmo quando o autônomo presta serviço continuamente e permitiu o trabalho de mulheres em ocupações insalubres.

E tudo isso sob a promessa de criação de seis milhões de empregos, que nunca deram as caras. Ao contrário, a média salarial dos trabalhadores vem caindo desde então.

Na Espanha, a revisão de algumas medidas foi feita sob um amplo acordo, reunindo trabalhadores, empresários e governo. Então, por que o tema incomoda tanto no Brasil, como se fosse um tabu?

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