Bolsonaro seguiu propostas do guru Olavo de Carvalho, deu no que deu
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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Bolsonaro seguiu propostas do guru Olavo de Carvalho, deu no que deu
Destruir é o sumo da "filosofia" de Olavo de Carvalho, cuja visão de mundo se resumia a combater fantasmas que só existiam em sua imaginação distorcida: a suposta dominação comunista, feminista, "gayzista" e do povo negro na educação e na cultura
Mais uma vez chamo a atenção para aquela que foi a reunião mais reveladora do que seria o governo de Jair Bolsonaro, política expressa abertamente pelo próprio presidente recém-eleito. Agora, a propósito da morte de Olavo de Carvalho, acontecida na segunda-feira, considerado o “guru” do bolsonarismo.
O encontro, em Washington, foi realizado cerca de dois meses depois da posse do capitão, com a presença de destacados líderes trumpistas, dos filhos do presidente e auxiliares mais próximos. Olavo de Carvalho em papel de destaque.
Ele sentou do lado direito de Bolsonaro e foi a única pessoa citada em seu breve discurso. O presidente disse que o escritor era um de seus "grandes inspiradores", e também responsável pela “revolução” da qual se considerava líder.
O discurso do presidente, em tom messiânico, apresenta, em poucas palavras, a linha que seu governo iria seguir. Ele começa dizendo de sua admiração pelo “povo americano” e continua:
"O que eu sempre sonhei foi libertar o Brasil da ideologia nefasta da esquerda. Um dos grandes inspiradores meus, está aqui à minha direita, o professor Olavo de Carvalho. Ele é inspirador de muitos jovens no Brasil. Em grande parte devemos a ele a revolução que estamos vivendo. Prezado Olavo de Carvalho, o Brasil não é um terreno aberto, onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos que desconstruir muita coisa, desfazer muita coisa, para depois começarmos a fazer. Que eu sirva para ser pelo menos um ponto de inflexão, já estou muito feliz”.
Na sequência, Bolsonaro diz que o Brasil “caminhava para o socialismo, para o comunismo” e atribuiu à “vontade de Deus” os dois “milagres” que lhe teriam acontecido: ter sobrevivido a uma facada durante a campanha e a sua eleição para presidir o Brasil.
O que Bolsonaro falou em “desconstruir” é o sumo da “filosofia” de extrema direita olavista, cuja visão de mundo se resumia a combater fantasmas que só existiam em sua imaginação distorcida: a suposta dominação comunista, feminista, "gayzista" e do povo negro, que se estenderia pela educação, cultura e na vida cotidiana, uma insana "guerra cultural", na qual seria lícito usar todas as armas para vencê-la.
Deu no que deu.
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