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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Militares ganham acima do teto e têm privilégios em relação aos civis

Foi assim que um capitão, que saiu pela porta dos fundos do Exército, conseguiu o apoio de um setor das Forças Armadas, que agora não quer abdicar da mamata.

No artigo divulgado na quarta-feira tentei explicar por que desconfiar das palavras de militares quando afirmam que não participariam de um golpe eventualmente desfechado pelo presidente Jair Bolsonaro. Citei exemplos históricos de generais que garantiam seu compromisso com a legalidade, enquanto conspiravam para violentá-la.

Isso não quer dizer que Bolsonaro tenha força para aplicar um golpe; porém, da mesma forma, não existem garantias de que não irá tentá-lo.

Generais, os beneficiados
No governo Bolsonaro as Forças Armadas foram o setor mais beneficiado da sociedade, comparadas a outros funcionários públicos e também a qualquer outra categoria de trabalhadores. Além disso, milhares de fardados ocupam a burocracia estatal, cujo número se calcula em oito mil cargos.

Acima de R$ 39 mil
Vejam que uma portaria assinada pelo presidente permite que os militares acumulem salários acima do teto constitucional, de R$ 39,3 mil, o que não é permitido a outros funcionários públicos.

Devido a isso, os generais do governo receberam até R$ 350 mil a mais em 12 meses, contando a partir de abril do ano passado, quando a portaria foi assinada.

Grupo restrito ganhou
Segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo (10/5/2022), que publicou a notícia, a medida beneficiou o próprio Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão e “um grupo restrito de cerca de mil servidores federais que até então tinham desconto na remuneração para respeitar o teto constitucional”.

O maior aumento coube ao general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria-Geral, que recebeu R$ 874 mil nos 12 meses desde que a portaria foi publicada. Se o teto salarial tivesse sido aplicado, seriam menos R$ 350,7 mil em seu contracheque.

Em segundo lugar na sinecura ficou o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, que embolsou R$ 866 mil, R$ 342 mil acima do teto.

Faça uma conta simples e veja quanto esses generais embolsaram por mês.

Mas os benefícios exclusivos não param por aí.

Dados do Tesouro Nacional (corrigidos pela inflação medida pelo IPCA), mostram ter havido queda de 8,4% no dispêndio com servidores federais civis da ativa de 2018 comparado com 2021. No mesmo período, o gasto com os inativos caiu 3,3%. Mas os militares foram em direção contrária: os do serviço ativo custaram 5,7% a mais no período, enquanto os inativos tiveram um aumento no gasto. As informações foram publicadas pelo na Folha de S. Paulo (11/5/2022).

Sem contar que, na reforma da Previdência, os trabalhadores de baixa renda foram prejudicados, enquanto os militares sairam-se por cima.

Civis sem padrinho
É por essas e por outras que as demais categorias do funcionalismo estão injuriadas, e algumas delas, como a Policia Federal, preparam greve reivindicando aumento salarial.

Foi com uma cenoura monetária, concedendo privilégios, que um capitão, que saiu pela porta dos fundos do Exército, conseguiu o apoio de um setor das Forças Armadas que agora não quer abdicar da mamata.

A questão é saber até que ponto estão dispostos a ir os fardados no apoio a uma aventura autoritária de um presidente a quem tanto devem.

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