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Brasil e Estados Unidos: os golpes gêmeos
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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Brasil e Estados Unidos: os golpes gêmeos

Não há por que duvidar da possibilidade de um golpe, caso Bolsonaro perca as eleições. O presidente vem preparando o terreno para uma reação violenta desde o primeiro dia de seu mandato. Afinal, o que um sujeito da má qualidade de Bolsonaro tem a perder?

Quando em seis de janeiro de 2021 o bando de fanáticos do então presidente americano Donald Trump invadiu a sede do Congresso americano, alguns analistas reconheceram o episódio como grave, porém recusaram-se a dar o nome de “golpe” a um ataque claramente golpista.

O nome mais correto seria “autogolpe”, ou seja, a ação do governante para permanecer ilegalmente no poder. Na América Latina não é tão incomum tal procedimento; no Brasil Jânio Quadros tentou, encenando uma renúncia, mas deu com os burros na água. E sua atitude ajudou a marcha do golpe cívico-militar de 1964.

Os golpes, agora, há muita literatura mostrando, dão-se de modo diferente, desmoralizando-se as instituições democráticas, praticando-se a censura e minando o Estado com uma banda desqualificada e disposta a tudo para se manter no poder.

A mesma resistência de apor o nome correto à coisa, deu-se com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, afastada do poder sob a alegação falsa, das tais “pedaladas fiscais”. Foi um golpe parlamentar, que muito contribuiu para levar à Presidência o néscio Jair Bolsonaro.

Alguns analistas apegam-se a teorias desatualizadas e detalhes formais negar ao golpe seu próprio nome.

O fato é que o argumento de que não teria havia uma tentativa de golpe nos Estados Unidos com a invasão do Capitólio caiu por terra com o chocante depoimento, ao comitê da Câmara americana, de Cassidy Hutchinson, ex-assessora do chefe de gabinete da Casa Branca na gestão de Trump. 

Segundo ela, Donald Trump não apenas incentivou a invasão da sede do Congresso, o que o fez publicamente, como pediu que fossem retirados os detectores de metais no comício no qual ele incitava a turba ao ataque, mesmo sabendo que a escória estava armada.

Depois, na limusine presidencial, Trump queria acompanhar a horda, e teria ficado furioso quando seus seguranças disseram que não era seguro ir até a sede do Congresso. “Eu sou a porra do presidente, me leve para o Capitólio agora”, teria dito. Segundo o depoimento, o presidente teria tentado virar o volante do carro, sendo contido pelos seguranças, que o levaram para a Casa Branca.

Assim, fica muito claro que o propósito de Trump era impedir que o Congresso certificasse a vitória de Joe Biden, uma formalidade, nunca antes desrespeitada na história dos Estados Unidos.

Que nome dar a isso, senão golpe? Fracassado, mas golpe.

Esse mesmo roteiro está sendo preparado pelo presidente Jair Bolsonaro. Tudo indica que ele não vai entregar o poder pacificamente, incitando a um motim para provar o caos no País.

Não há por que duvidar dessa possibilidade, pois o terreno para a contestação violenta das eleições, o presidente vem preparando desde o primeiro dia de seu mandato. Afinal, o que gente da má qualidade de Bolsonaro e seus sequazes têm a perder?

 

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