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Nikolas, um ato de irresponsabilidade
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Plínio Bortolotti integra o Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Nikolas, um ato de irresponsabilidade

O deputado manteve a manifestação, subiu ao palco e fez um discurso, mandando "recados" para o Supremo Tribunal Federal. Ele apenas se esqueceu de mencionar as pessoas que ficaram feridas por atenderem ao seu chamado
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O deputado federal André Fernandes se juntou ao deputado federal Nikolas Ferreira em uma caminhada de mais de 200 quilômetros em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Instagram @andrefernandes)
Foto: Reprodução/Instagram @andrefernandes O deputado federal André Fernandes se juntou ao deputado federal Nikolas Ferreira em uma caminhada de mais de 200 quilômetros em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro

Felizmente, não aconteceu uma tragédia maior durante a manifestação convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), realizada em Brasília, na tarde deste domingo.

O ato era a culminância de uma caminhada em defesa da “liberdade”, digo, do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos autores dos atos de vandalismo golpista no 8 de janeiro de 2023.

Antes do início do protesto, um raio atingiu a aglomeração, ferindo 72 pessoas, socorridas pelo Corpo de Bombeiros. Algumas vítimas precisaram ser encaminhadas ao hospital.

As manifestações são legítimas em uma democracia, mas quem as lidera tem de ter um mínimo de responsabilidade.

E cuidados faltaram, a partir da organização da passeata, que se iniciou sem comunicação à Polícia Federal, impedindo que a PRF tomasse providências para preservar a integridade física dos manifestantes e dos usuários do sistema rodoviário.

Até mesmo um helicóptero pousou à beira da rodovia, mas até agora não se sabe a serviço de quem estava a aeronave. De qualquer modo, havia algum tipo de relação com a caminhada.

Mas esse descaso com a segurança das pessoas ficou ainda mais explícito na chegada a Brasília, pois o evento não foi desmarcado nem mesmo após a descarga elétrica atingir dezenas de pessoas.

Porém, algumas normas de segurança, que devem ser observadas em caso de chuvas fortes, para evitar a atração de raios, foram desconsideradas pelos organizadores da manifestação. E os participantes não tinham como segui-las.

1) Não permanecer em áreas abertas.
2) Não se aproximar de cercas metálicas.
3) Não portar objetos com estrutura de ponta metálica (como guarda-chuvas, que se contavam às centenas).
4) Além disso, havia dois guindastes, grandes estruturas metálicas, que só foram retirados após a queda dos raios (os guindastes seguravam uma grande bandeira: desta vez do Brasil).

Fazia muito frio no local, havendo também casos de hipotermia. Em um contexto assim, depois de um acidente grave, a organização deveria ter cancelado o ato, orientando as pessoas a procurar abrigo.

No entanto, Nikolas manteve a concentração, subiu ao palco e fez um discurso, mandando “recados” para o Supremo Tribunal Federal. Ele apenas se esqueceu de mencionar as pessoas que ficaram feridas por atenderem ao seu chamado.

Foto do Plínio Bortolotti

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