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empreendedora e fundadora da startup cearense Muda Meu Mundo. É pedagoga, cientista política de formação e tem pós-graduação em áreas de gestão

Priscilla Veras vida & arte

É sustentável mesmo?

Depois que entendemos que as empresas no mundo inteiro estão tentando se adaptar para ter atitudes mais sustentáveis, a gente acaba sempre se fazendo a pergunta: Mas será que é sustentável mesmo? Nos últimos anos, vivemos uma crise de confiança entre aquilo que as pessoas dizem que são e o que elas são de verdade. Com certeza você já deve ter passado por algum lugar, viu um produto e se perguntou: Será que é orgânico mesmo? Será que não é só para cobrar mais caro? Como eu sei se isso é de fato sustentável?

Essa crise de confiança entre empresas e consumidores começou no momento em que tivemos acesso a informação em tempo real e pudemos saber como um determinado produto é feito. Com isso, acabamos por descobrir marcas de chocolate que são autuadas por trabalho infantil, de moda com condições de trabalho análogos a escravidão. Isso nos tornou ainda mais desconfiados se nós podemos acreditar de fato nessa dita sustentabilidade.

Mas será que a pergunta para descobrir se "aquilo que reluz é ouro mesmo" é tão superficial ao ponto de uma resposta objetiva suprir a sua inquietação? Não quero te fazer ficar mais desconfiado, quero te ajudar a entender que a pergunta correta para saber se uma empresa ou um produto é de fato sustentável passa principalmente por: Como esse produto é feito?

O maior problema para a "falta" de credibilidade da prática de sustentabilidade passa pela letrinha G que significa GOVERNANÇA e que penaliza muitas empresas que não sabem qual o começo de sua cadeia produtiva. Vou te dar um exemplo: Você chega no supermercado e o preço do Alface é R$3,00. Quantas vezes você já se questionou quanto o produtor, que por 45 dias ficou cuidando daquele produto, ganhou para que chegasse para você por R$3,00? Pois é. É aí que a Governança entra. Se você confia que o supermercado que você compra seu alface é sustentável, a GOVERNANÇA deles fará com que o setor de compras saiba exatamente quando o produtor recebeu e que não houveram processos exploratórios do começo da cadeia produtiva.

Poxa, Priscilla, mas imagina a empresa saber de onde vem o algodão da camiseta que ela faz? Será que isso é possível? Com certeza! E você pode fazer uma pesquisa rápida na internet para saber isso sobre algumas empresas que estão prestando atenção em sua cadeia produtiva. O meu ponto nisso tudo é que nós consumidores temos o poder de fazer com que nossas marcas preferidas se tornem de fato sustentáveis se fizermos as perguntas certas para elas.

Não estou querendo te convencer a ter uma vida longe da praticidade que a modernidade nos traz. Jamais! Estou querendo te convencer a ajudar a suas marcas preferidas a terem tanto cuidado com o impacto negativo, quanto você está passando a ter ao ler essa coluna.

O consumidor tem o poder de intervir sobre o mercado e isso é tão forte que 87% dos brasileiros já falam que sustentabilidade é uma das suas cinco principais decisões de compra. Essa mudança na nossa forma de consumir, está fazendo com que as empresas se adaptem a esta nova demanda. E aí surge um problema com a falta da Governança chamada Greenwashing. O greenwashing (lavagem verde) é o termo que usamos para falar de algo que foi maquiado de verde, mas que não é verde de verdade.

Vamos falar sobre os canudos. O canudo é um plástico de uso único que ganhou grande notoriedade nos últimos anos. Quando ele foi proibido em alguns lugares, surgiu, como que por mágica, o tal canudo biodegradável (que diga-se de passagem não muda muito a situação). Ao invés de nos questionarmos sobre a necessidade do uso de canudo, nós simplesmente adotamos o uso do canudo biodegradável. Mas poucos canudos são sustentáveis de verdade ao ponto de se decompor rapidamente, e normalmente eles são bem caros (depois falamos sobre esse negócio de preço, eu prometo). Se nós fizéssemos a pergunta certa: será que eu preciso de canudo? com certeza os canudos biodegradáveis seriam biodegradáveis de verdade.

O mundo está mudando. Nós estamos mudando. As empresas estão mudando. Não se trata de viver longe da praticidade da vida moderna, se trata de fazer escolhas conscientes e práticas para tornar o nosso dia a dia mais sustentável.

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