Rachel Gomes é jornalista, mãe da Serena e da Martina e produz podcasts de maternidade há cinco anos. Em 2022, deu início ao MamyCast, primeiro podcast de maternidade do Ceará, onde aborda pautas informativas sobre maternidade, gestação e infância
Rachel Gomes é jornalista, mãe da Serena e da Martina e produz podcasts de maternidade há cinco anos. Em 2022, deu início ao MamyCast, primeiro podcast de maternidade do Ceará, onde aborda pautas informativas sobre maternidade, gestação e infância
O caso do secretário que atirou nos dois filhos em Itumbiara, matando um deles e depois tirando a própria vida, chocou o Brasil. Ao receber a notícia, o reflexo imediato de todos é a mesma pergunta: por quê?
O motivo alegado pelo autor dos crimes teria sido uma suposta traição da esposa, mãe das crianças. E é aí que se esconde uma questão grave, ligada a uma das piores chagas da humanidade: a cultura que sustenta os crimes de feminicídio — e que ainda tenta, de algum modo, responsabilizar a mulher pela violência que sofre.
Um homem que se sente autorizado a tirar a vida dos próprios filhos, duas crianças, por causa de uma mágoa pessoal, acredita, ainda que inconscientemente, que tem algum respaldo. Respaldo de uma sociedade em que o machismo pulsa forte a ponto de muita gente ainda conseguir culpar essa mulher, que já teve a vida destruída de forma indireta e cruel.
Não é a primeira vez que vemos histórias de homens que não suportam o peso de serem trocados, rejeitados ou simplesmente deixarem de ser amados — e arrastam os filhos consigo para punir a ex-companheira. Uma vingança injusta, violenta, covarde.
Traição se resolve entre adultos. Com conversa, com separação, com término. Vida que segue.
Filhos não deveriam ser moeda de troca nas guerras emocionais dos pais.
Aquelas crianças não tinham absolutamente nada a ver com o conflito do casal. E aquela mulher, ao decidir não estar mais com aquele homem, não deixou de ser mãe. Não abriu mão dos filhos. Não escolheu perdê-los.
Até agora dói imaginar que essa mãe nunca mais terá sua vida de volta. Não do mesmo jeito. Não inteira. E por causa de uma decisão extrema e estúpida que não partiu dela.
Ele não puxou o gatilho só contra três pessoas.
Ele atingiu uma família inteira.
Até quando vamos ler notícias como essa e ainda procurar justificativas?
Não existe traição que explique matar crianças.
Não existe mágoa que autorize crueldade.
Filhos não são vingança.
São amor. E deveriam ser protegidos de qualquer guerra entre adultos.
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