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Regina Ribeiro é jornalista e leitora voraz de notícias e de livros. Já foi editora de Economia e de Cultura do O POVO. Atualmente é editora da Edições Demócrito Rocha

Bolsonaro no Ceará: motociata, aglomeração e nada

Regina Ribeiro, jornalista (Foto: O POVO)
Foto: O POVO Regina Ribeiro, jornalista

O presidente Bolsonaro estará em solo cearense hoje. Vem ao Cariri inaugurar 1,8 mil casas do programa Verde Amarela, que já foi Minha Casa Minha Vida lançado pela ex-presidente Dilma Rousseff. Aliás, a bem da verdade, andar para cima e para baixo inaugurando obras de outros governos tem sido a principal estratégia do governo Bolsonaro em gastar dinheiro público em viagens pelo Brasil.

Fazendo uma rápida pesquisa sobre as inaugurações de Bolsonaro pelo País encontramos ordens de serviço, trechos de estradas, pontes. Considero que cada um desses trechos e pontes, a maioria começada em outras gestões, são importantes porque, para mim, quando a gestão e os recursos públicos conseguem solucionar problemas para pequenas ou grandes comunidades ou ainda proporcionar melhorias na qualidade de vida para uma única pessoa que seja tem efetivamente cumprido seu papel.

O que eu me pergunto é sobre a relevância dessas obras. Todas essas viagens são mesmo relevantes ou apenas motivos para motociatas, imagens para mídias sociais, aglomeração e muita parolagem? Ou seja, nada? De quebra, tem ainda a descortesia aliada à falta de educação que lhe são peculiares, além dos discursos odiosos que se seguem nessas ocasiões contra os adversários políticos. Esses momentos são os ideais para que o presidente Jair Bolsonaro exale sua versão cada vez mais desequilibrada, delirante e destemperada.

Público é algo que o Bolsonaro exige. Não que ele tenha algum dom artístico. Suas ações demonstram que ele não tem nenhuma propensão a qualquer linguagem artística. No entanto, sabe-se que o presidente se alimenta de plateia. Ela consegue tocar no que ele tem de mais original e que gira em torno do seu egocentrismo.

Na última terça-feira, o Brasil viu boquiaberto o espetáculo da parada militar fora de hora em Brasília, nas redondezas no Congresso Nacional só para que ele recebesse o convite para participar dos exercícios militares da Operação Formosa, corriqueira nas Forças Armadas. Soou como provocação aos congressistas que iriam voltar mudanças nas urnas eletrônicas sob o discurso de "eleições limpas", promovido por Bolsonaro e sua turma.

O projeto do voto impresso foi derrubado, mas se engana quem pensa que ele saiu derrotado da votação. Ou que cessou sua missão de debilitar ainda mais a democracia brasileira. n

 

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