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Sérgio Moro, o homem das grandes apostas
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Regina Ribeiro é jornalista e leitora voraz de notícias e de livros. Já foi editora de Economia e de Cultura do O POVO. Atualmente é editora da Edições Demócrito Rocha

Sérgio Moro, o homem das grandes apostas

Ex-juiz Sérgio Moro fez mais uma manobra para se inserir de vez na política, agora com partido, o Podemos, e provável candidatura para cargo eletivo.
Ex-juiz Sergio Moro é perspectiva da vez da terceira via (Foto: SERGIO CASTRO/AE)
Foto: SERGIO CASTRO/AE Ex-juiz Sergio Moro é perspectiva da vez da terceira via

Sérgio Moro, o ex-juiz, parece ser um homem que gosta de jogo de altas apostas. Ele apostou que se transformaria num Antonio Di Pietro, procurador que coordenou a Operação Mãos Limpas, na Itália. Perdeu.

Com jeito de isentão, duro e implacável com a corrupção, Moro mandou prender uma reca de políticos, a maioria do PT, embora a corrupção envolvendo empresas como a Petrobras contemplasse de forma democrática quase todos os partidos, assim como as práticas de Caixa 2 e a ligação entre os partidos e empresas privadas.

O ex-presidente Lula foi o maior prêmio de Moro. Condenado num processo jurídico questionável, levou o STF a anular as condenações do ex-juiz e julgá-lo parcial na condução dos processos que envolvem o ex-presidente.

Antes de prosseguir, gostaria de deixar claro que considero que a Operação Lava Jato teve muitos méritos e o maior deles foi descortinar os métodos de corrupção que ligavam a grande maioria dos políticos brasileiros a esquemas pesados de desvio do dinheiro público. Gostaria também de esclarecer que sou ciente de que as decisões do STF que alcançaram o ex-presidente Lula não o tornam inocente. E, sim, apontam para uma exacerbação do direito promovida pelo ex-juiz e alguns procuradores.

Só quando o The Intecept Brasil publicou as mensagens secretas da Operação Lava Jato envolvendo o então juiz Sérgio Moro e os procuradores encarregados da operação é que ficou claro o que já transparecia. O ex-juiz apostava, mas não era honesto no jogo.

Sérgio Moro apostou que seria peça indispensável do governo Bolsonaro que ajudou a eleger em 2018, justamente com a prisão do ex-presidente Lula. E, no fim das contas, ainda receberia, talvez, uma cadeira no STF. Perdeu de novo. Foi humilhado por Bolsonaro – que não respeita ninguém. Saiu acusando o ex-chefe de interferência na Polícia Federal para benefício próprio e, hoje, os dois brigam na Justiça num disse-me-disse sem fim.

Ex-juiz Sérgio Moro, convidado para superministro de Jair Bolsonaro entregou o cargo e briga com o presidente na Justiça
Ex-juiz Sérgio Moro, convidado para superministro de Jair Bolsonaro entregou o cargo e briga com o presidente na Justiça (Foto: Agência Brasil)

Agora, Sérgio Moro aposta na Política. Filiou-se ao Podemos e pelo que falou na última quarta-feira, se impõe como um nome que quer “contribuir com o Brasil”. Enquanto tirava fotos com políticos durante a filiação, um participante do evento jogou uma moeda no palco e o chamou de “traidor”. O homem foi retirado às pressas. A moeda ficou por lá sob o olhar do ex-juiz. Moro começou mais um jogo.

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