Sou jornalista de formação. Tenho o privilégio de ter uma vida marcada pela leitura e pela escrita. Foi a única coisa que eu fiz na vida até o momento. Claro, além de criar meus três filhos. Trabalhei como repórter, editora de algumas áreas do O POVO, editei livros de literatura, fiz um mestrado em Literatura na Universidade Federal do Ceará (UFC). Sigo aprendendo sempre. É o que importa pra mim
Passado o Carnaval, o Brasil dará início ao jogo eleitoral de fato. No novo cenário, sai o legado dos governos federal e estaduais e entram as percepções subjetivas. Quem melhor souber usá-las poderá dominar o jogo.
Foto: Wallace Martins/STF
FACHADA do Supremo Tribunal Federal
O Brasil funciona como se estivesse suspenso até hoje, Quarta-feira de Cinzas. Agora é que o ano começa de fato e de direito. E que ano será! Teremos eleições presidenciais e para o governo dos estados, casas legislativas nacional e estaduais, além da Copa do Mundo.
Em um passado mais ou menos recente, eleições gerais eram quase sinônimo de análise dos legados de um governo e exame de possibilidades. A economia tinha um papel preponderante num mundo em que as pessoas ligavam melhoria de vida, emprego e crescimento da renda a um governo. Esse tempo, no entanto, não existe mais.
Na última quarta-feira, a pesquisa Quest mostra que 49% dos entrevistados desaprovam o governo Lula. Ou seja, as vantagens econômicas que incluem desemprego em queda, inflação domada, crescimento da renda, redução do IR para quem ganha até R$ 5 mil, crescimento econômico - pequeno, mas crescimento -, expansão do mercado imobiliário, do comércio e dos serviços, entre outras, parece ter impacto limitado na percepção de um governo que promove mudanças reais no padrão econômico do País.
Um levantamento divulgado pelo Paraná Pesquisas, na última semana de janeiro, informou que uma em cada três almas que recebem o Bolsa Família não faz questão de reeleger o atual presidente. Eu acho muita gente. E essas são também as criaturas que mais têm probabilidades de ter integrantes da família recebendo benefícios do tipo Pé-de-Meia, por exemplo.
O processo eleitoral está envolto em percepções. Sempre esteve, claro, mas agora essas percepções, mesmo quando não refletem a realidade, comandam as expectativas e desejos políticos de um bom quinhão de eleitores. Quem souber manejar muito bem com elas, e jogar com as sensações, domina a bola em campo. Dizer que o Brasil não vive um regime de plena liberdade hoje é a percepção queridinha da extrema direita.
A atual e inexplicável crise do STF de hoje será usada à exaustão. Nikolas Ferreira, uma das principais caixas de ressonâncias dessas percepções no País, já marcou manifestação contra o STF para o dia 1º de março. Não interessa divisão de poderes. Isso é coisa objetiva demais. No mundo das percepções, o que contam são as subjetividades e a linguagem que embala os comandos. O STF não é confiável, portanto, julga mal e erroneamente condenou Bolsonaro, companhia e patriotas do 8 de Janeiro. STF e Governo Lula são a mesma coisa. Pronto.
Depois desta Quarta de Cinzas o ótimo samba-enredo da Acadêmicos de Niterói será passado remoto, sem contar que terá batido no muro dos eleitores que nem de Carnaval gostam, porque boa parte é evangélica. A percepção? "Olha onde esse governo gasta o nosso dinheiro!" Mesmo que a Acadêmicos de Niterói não tenha usado R$ 1 da Lei Rouanet.
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