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Renato Brasil é Químico pela UFC, Mestre em Gastronomia pela Universidade Nova de Lisboa, Docente em Enologia da UNICHRISTUS, Sommelier pela Associação Brasileira de Sommeliers - SP, diretor e fundador da ABS-CE, Docente dos cursos da ABS-CE e Consultor de vinhos para Importadores, distribuidores e restaurantes. Atual 3º lugar no campeonato brasileiro de Sommeliers ABS-Brasil 2019.

Renato Brasil gastronomia

Escolhendo rótulos (Parte II)

Tipo Opinião

Quando pensamos nas principais regiões de vinho do mundo, Toscana, Martinborough, Douro, dentre tantas outras, estamos escolhendo a história delas. Cada uma sofreu a influência das suas colonizações, suas características edafoclimáticas (características de clima e solo) e, principalmente, o perfil dos seus antepassados que criaram as suas próprias raízes. O continente europeu é o mais antigo nessa atividade e a que mais se caracteriza pela regionalidade e integridade da sua cultura do vinho, lá visto como alimento e não somente como bebida alcoólica, no Velho Mundo. A mesma compreensão não existe tão fortemente para países do chamado Novo Mundo, nações que desenvolveram a cultura dos vinhos a partir da sua colonização. Austrália, África do Sul e os países do continente americano, na era das grandes navegações, são exemplos. Hoje estes se dispõem muito mais a entender as suas condições climáticas e a usar de estudo e tecnologia para se descobrir e produzir, a cada dia, o seu melhor.

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Faustino I Gran Reserva Rioja
Faustino I Gran Reserva Rioja

O velho e o novo mundo do vinho

Grandes diferenças se observam entre os dois perfis de vinhos, os vinhos do velho mundo, por exemplo, não ostentam nos seus rótulos as suas uvas de confecção, pois como eles são produtos de longos anos de produção regional, elas já por si só são conhecidas do público. Saber que a Chardonnay é a casta que compõe os vinhos brancos da Borgonha é de conhecimento histórico, em que somente com a referência Borgonha já sabemos qual uva iremos provar, e assim seguem todos os países do chamado velho mundo.

Um grande player

Espanha, como referência do velho mundo, tem suas uvas autóctones, que são as originárias no país. Em cada uma das suas regiões existem as mais emblemáticas que são protegidas pelas leis de denominações de origem, uma grande referência nacional é a Tempranillo. Assim, quando provamos um vinho tinto da Rioja, por exemplo, teremos muito provavelmente essa uva no vinho, as vezes só as vezes acompanhada de algumas outras da região, mesmo que o seu nome não esteja no rótulo.

Faustino I Gran Reserva Rioja

Da região Rioja, um vinho de cor granada. Intenso bouquet complexo, que combina notas minerais, terrosas, cravo e cogumelos. Em boca é um vinho refrescante, bem equilibrado, de bom peso pela passagem por 26 meses em barricas de carvalho americano e francês, e o final com uma textura sedosa e profunda. Um vinho ícone.

Casa Silva Pinot Noir Cool Coast D.O Valle de Colchagua
Casa Silva Pinot Noir Cool Coast D.O Valle de Colchagua

Um jovem do novo mundo

De outro lado do mundo, no Hemisfério Sul, em uma região que ainda está ganhando novas demarcações, Colchagua no Chile, temos a necessidade de informar no rótulo as uvas que compõem o vinho, mesmo que novo a qualidade é a busca incessante de todos, assim, fazer o melhor Pinot Noir do mundo é sempre o objetivo de todos.

Casa Silva Pinot Noir Cool Coast D.O Vallede Colchagua

Da Casa Silva, vinícola imponente, no vale de Colchagua, um Pinot Noir de clima frio, leve e refrescante, na coloração rubi leve demonstra sua juventude e um nariz frutado confirma e atrai a todos os paladares, principalmente os iniciantes. A boca é delicada e com taninos muito finos é um tinto de entradas, macio e vivo, como um bom exemplar de Pinot Noir bem produzido. Grande escolha.

Onde encontrar:
Brasil Bebidas - rua Torres Câmara, 585 - Aldeota

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