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É verão, e aí, qual o vinho da estação?
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Renato Brasil é Químico pela UFC, Mestre em Gastronomia pela Universidade Nova de Lisboa, Docente em Enologia da UNICHRISTUS, Sommelier pela Associação Brasileira de Sommeliers - SP, diretor e fundador da ABS-CE, Docente dos cursos da ABS-CE e Consultor de vinhos para Importadores, distribuidores e restaurantes. Atual 3º lugar no campeonato brasileiro de Sommeliers ABS-Brasil 2019.

Renato Brasil gastronomia

É verão, e aí, qual o vinho da estação?

Tipo Opinião
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Garibaldi Terroir Sauvignon Blanc Branco Seco (Foto: Acervo Uvas & Vinhos)
Foto: Acervo Uvas & Vinhos Garibaldi Terroir Sauvignon Blanc Branco Seco

No Ceará, Terra da Luz, e em Fortaleza, Terra do Sol, é sempre verão, e com temperaturas que rondam os 30° C, dia e noite, somente uma taça refrescante à mesa para aliviar o peso da temperatura. A regra de ouro é buscar leveza e frescor: vinhos com boa acidez, que funcionem como um verdadeiro mergulho no mar. Seja na praia ou no sertão, existe sempre um rótulo ideal para brindar ao nosso verão eterno com elegância e refrescância.

Um dos grandes mitos é que o vinho é pouco consumido no Ceará por causa da temperatura da nossa região, mas como explicar o consumo de destilados como a cachaça? Bebida muito mais alcoólica e, portanto, muito mais adequada ao clima frio.

A verdade é que existem vinhos para todas as ocasiões, não somente do frio, embora ainda os vinhos tintos sejam os mais consumidos pelo público brasileiro e alguns destes, sim, são mais adequados em situações de frio. Acontece que quando chega o verão, as altas temperaturas pedem bebidas refrescantes.

As características desses ditos vinhos de verão pedem um tratamento diferenciado à mesa, normalmente baixamos a estrutura dos vinhos, menos graduação alcoólica gera mais leveza e refrescância, junto da estrutura, a temperatura de serviço e, para os espumantes e suas borbulhas são imbatíveis, mas também temos os brancos, rosés e até tintos que podem fazer o calor de um dia quente, ou um momento de churrasco se transformar em uma excelente experiência sensorial.

Brancos e Rosés

Para dias quentes, brancos leves, de castas mais aromáticas, como Riesling, Gewürztraminer, Sauvignon Blanc para falar das mais conhecidas, mas também vinhos da região do Piemonte, como a Cortese do Gavi no Piemonte.

Montecroce Cortese - Vinchio Vaglio - Piemonte

Da região fria do Piemonte, na Itália, a vinícola Vinchio Vaglio produz um vinho branco que é a cara do verão. Uma uva pouco conhecida chamada Cortese, com intensidade aromática média, lindas notas de melão branco, de pêra, com uma acidez viva mas domada pela cremosidade, uma junção de fruta fresca que dá vida, mas com estrutura de acidez e corpo. Excelente para peixes leves como a tilápia frita, ou até saladas de verão, com frutas. Simplesmente espetacular.

Sauvignon Blanc

Grey Sauvignon Blanc - Ventisquero - Atacama

Originário do Vale de Atacama, o Ventisquero Grey Sauvignon Blanc é a tradução líquida do frescor oceânico, ideal para o clima do Ceará. Com uma acidez vibrante e notas minerais, ele entrega aromas intensos de frutas cítricas e toque herbáceo.

Na boca, é elegante e persistente, pedindo um serviço mais gelado. É o parceiro perfeito para frutos do mar, ceviches e sushis, transformando o calor de Fortaleza em uma sofisticada experiência gastronômica.

Rosés

Il Dolce far Niente - Sacramentos Vinifer - MG

Um rosé tem mais textura que brancos em geral, porém tem a acidez e leveza de brancos, por isso, deve ser bebido jovem, em no máximo 2 anos, e para esse verão um rosé que sempre me deixa um gostinho de quero mais é o il Dolce far Niente, da Sacramentos Vinifer.

Vinícola localizada na Serra da Canastra - MG, produz alguns vinhos na serra gaúcha, o Il dolce far niente é um rosé de Pinot Noir da região de Faria Lemos, no Rio Grande do Sul, com um nariz com notas florais rosé, com ótima acidez e final delicado, destacando-se por frutas vermelhas frescas, como cerejas e morangos. Na boca é delicioso, muita fruta e aquela acidez.

Tintos leves

Punto Final Malbec - Renacer - Lujan de Cuyo

E porque não um tinto? Vinhos produzidos com uvas de baixa textura, como um Gamay de Beaujolais, ou quem sabe um Bardolino, são bastante característicos de verão, mas já provaram algum Malbec leve e delicado? Pois o Punto Final Malbec, da Bodega Renacer, é a escolha certeira.

Diferente dos Malbecs robustos e alcoólicos, este varietal de Mendoza foca na fruta fresca e na fluidez. Sem passagem por madeira, ele preserva notas de violetas e frutas vermelhas, entregando um corpo médio e taninos sedosos. Servido ligeiramente refrescado (entre 14°C e 16°C), é o parceiro ideal para um prato de carnes vermelhas ou um jantar descontraído sob o vento de Fortaleza.

Drinks de verão

Kir Cocktail é um aperitivo preparado com licor de cassis, completado com vinho branco, originalmente um borgonha branco elaborado com a uva Aligoté. Mais tarde, o Aligoté foi substituído pelo Chardonnay, mas uma variação clássica desse drink é o Kir Royal substituindo o vinho branco por espumante, nada mais satisfatório para o clima cearense.

Outro drink muito consumido no verão europeu, principalmente em Portugal é o Porto Tônico, que vem ganhando cada vez mais espaço como alternativa ao Gin Tônica. Com as temperaturas batendo recordes, a combinação de vinho do Porto e água Tônica, uma composição com estrato de quinino, que dá amargor e estrutura, é ótima pedida. Bellini Cocktail, feito com suco de pêssego e espumante, foi inventado por Giuseppe Cipriani em 1945 no Harry"s Bar de Veneza, mas só ganhou o nome "bellini" em 1948, em homenagem aos pintores venezianos Jacopo Bellini (1396-1470) e Giovanni Bellini (1430- 1516), pai e filho.

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