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Rossandro Klinjey é palestrante, escritor e psicólogo clínico. Autor vários de livros, é consultor em temas relacionado a comportamento, educação e família, além de colunista da Rádio CBN. Foi professor universitário por mais de dez anos, quando passou a se dedicar à atividade de palestrante

Rossandro Klinjey comportamento

Humildade e inteligência, uma íntima relação

Tipo Opinião

A inteligência não é apenas um conceito a ser descrito, mas uma forma competente de viver a vida contemplando dela os resultados. A inteligência nos torna capaz de aprender com as experiências da vida, nos permitindo adquirir, manter e utilizar o conhecimento advindo das experiências, dolorosas ou não da existência. Com a experiência acumulada nos tornamos mais capazes de reconhecer os problemas da vida, nos tornando mais conscientes de tudo o que nos cerca. Reconhecer problemas é uma habilidade que nem todos têm, e quando as possuem limitam-se a culpar os outros, sem jamais se responsabilizarem. Por isso, quando aprendemos com as experiências e reconhecemos nossos problemas, a inteligência manifesta sua faceta final que é a capacidade de utilizar o que aprendemos para agir sobre as dificuldades.
A inteligência é fluida e se apresenta, sobretudo, na forma lúcida e empática de viver nosso mundo interno e nossos relacionamentos. Por isso, ousaria mesmo a dizer que para se amar e amar aos outros é preciso viver de forma inteligente a vida, o que significa dar menos importância ao que nos afasta e mais relevância ao que nos aproxima, a deixar de temer a diferença como algo que ameaça nossa individualidade, se permitindo aprender mais e mais todos os dias.
Contudo, só os humildes são capazes de desenvolver ainda mais a inteligência. O paradoxo socrático reconhecido na ideia do “só sei que nada sei” nos apresenta a humildade como característica central da inteligência ao deixar claro o quanto é sábio reconhecer a dimensão da própria ignorância.
A humildade é uma oposição consciente a uma vida narcisista e competitiva. Vivemos numa sociedade do “eu primeiro” que estimula o conflito e o combate. Uma sociedade que até admira os que promovem a paz, mas que ama os guerreiros a quem chamam de heróis.
Somente com humildade desenvolvemos autonomia emocional para perceber a dignidade de toda vida humana, um senso de coletividade que sabe que nenhum de nós sozinho é melhor do que todos nós juntos.
Portanto, uma pessoa humilde consegue perceber seus limites, sem com isso se sentir menor, e suas capacidades sem se sentir maior, e é exatamente por não se ver nem melhor nem pior que ninguém, que se torna uma pessoa mais equilibrada e inteligente.

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