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Rossandro Klinjey é palestrante, escritor e psicólogo clínico. Autor vários de livros, é consultor em temas relacionado a comportamento, educação e família, além de colunista da Rádio CBN. Foi professor universitário por mais de dez anos, quando passou a se dedicar à atividade de palestrante

Rossandro Klinjey comportamento

Bullying

Tipo Opinião

Em meio a uma pandemia como essa, é muito comum que as pessoas revelem, ao mesmo tempo, o melhor, e o pior delas. Também na sociedade as reações de grupos que nos revelam o nosso melhor, e o nosso pior.
Por isso que queria falar com vocês hoje sobre o "coronabullying". É um termo que foi criado recentemente para dar conta de que, enquanto alguns aplaudem todos os dias os profissionais de saúde que expõem a sua própria vida para cuidar de nossos familiares, ou das pessoas que nós conhecemos, outras pessoas, ao contrário, estão provocando bullying a profissionais que trabalham em hospitais.
No Japão, uma sociedade rica e extremamente organizada, enfermeiras, médicos e médicas estão sendo hostilizados. As crianças filhas desses profissionais estão sendo impedidas de ir para escola, a ponto do governo ter que tomar uma iniciativa.
Eu sei que o momento é difícil, que as pessoas tem medo, muita angústia, muita dor, mas fico pensando, se fosse você um profissional de saúde, você queria ser tratado assim? Você queria ser visto como um vírus?
Tem profissionais que dizem que se sentem como se fossem uma pedra radioativa, que as pessoas olham com angústia.
Lembra muito os policiais militares e civis do Rio de Janeiro, que tem até medo de andar fardado para não serem assassinados.
Será que a gente vai chegar a esse ponto? Será que o nosso medo vai se tornar tão irracional que, ao invés da gente observar os profissionais como heróis, que o são, vamos encará-los como inimigos?
A gente não pode aproveitar esses sentimentos de medo para revelar o nosso pior. Para que a gente possa sair desse quadro tão complicado, tão assustador e tão incomum da pandemia, precisamos revelar o nosso melhor lado. Precisamos estar envolvidos na capacidade de, juntos, encontrarmos uma solução. Não é hora de bullying, de “coronabullying”, não é hora de agressividade. É hora da gente se unir, porque o que está ameaçado é a própria civilização humana.
Por isso é importante que a gente observe os cenários e não deixe que o medo irracional tome conta das nossas ações.
É importante que além da gente não provocar nenhum mal-estar aos profissionais de saúde, tentando evitá-los, que a gente possa ajudá-los, encorajá-los e aplaudi-los. Ou, não seja assim, que aplauda da janela do seu apartamento ou da sua casa, ou colocar posts nas redes sociais, dizendo "nossos heróis", mas está evitando, está fazendo cara feia para essas pessoas que moram perto de você e até chegando a pedir que elas se mudem. É momento, num risco como esse, de mostrar o nosso melhor lado, e não o pior.

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