Sérgio Redes
clique para exibir bio do colunista

O ex-jogador Sérgio Redes, ou

NOTÍCIA

Viva o rádio!

Faltando quatro rodadas para o final do Brasileirão tem torcedor que começa a enrolar a bandeira. Quatro clubes caem para a segunda divisão. Botafogo já caiu, Coritiba e Goiás estão com a corda no pescoço. Fortaleza, Bahia, Vasco e Sport tentam afastar a corda.

Dos quatro, três escapam. Tenho restrições a esse campeonato nacional que obriga os clubes a se deslocarem constantemente nesse continente chamado Brasil, mas, por outro lado, mais de 50% dos clubes são premiados por conta dos resultados alcançados de acordo com a classificação.

Tarefa para os televisivos comentaristas de resultados. Aliás, eles nem precisam ver os jogos. Diga para eles o placar de um jogo e verá que é possível ouvir um comentário em cima de um resultado. Vitórias de Flamengo ou de Corinthians viram lendas.

Certa vez, me perguntaram numa mesa de bar quem eu achava um bom comentarista de futebol. Citei um nome que o bom senso me diz que não devo insistir, porque os três ou quatro que estavam sentados comigo reagiram: "Esse cara não entende nada!"

Claro que entende. E percebo pela reação de vocês que, nesses tempos televisivos, o fato de eu ter citado um comentarista de rádio provoca toda essa celeuma. Paremos com isso! Nesses tempos de audiovisual, o narrador e o comentarista do rádio são tratados a ponta pés.

Já pararam para pensar que o jogo irradiado tem os seus encantos? O narrador, então, estabelece com o torcedor uma relação eletrificada. Sua voz percorre um fio, como se fosse um rastilho de pólvora, e atinge em cheio o coração do torcedor apaixonado.

Na construção desse romance, o pessoal do rádio (escreve) com a sua voz. J. Lacerda, comentarista do rádio, liga entusiasmado com o passe que Osvaldo deu para David no jogo Fortaleza 3x1 Coritiba: "Tu viu, Serginho? O zagueiro caiu todo desengonçado".

Controle remoto na mão! Play, pause, rewind. Fico encantado com a obra de arte traduzida num passe de Osvaldo para David. Adoro televisão. A questão é que os comentaristas televisivos competem com as imagens, enquanto os comentaristas do rádio criam as imagens.

Essa notícia foi relevante pra você?
Logo O POVO Mais