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O ex-jogador Sérgio Redes, ou

No Tempo Em Que Chuteira Tinha Prego

Vez por outra cruzo pela cidade com torcedores que me contam ou pedem para que eu publique histórias antigas de futebol. Como povo sem memória vira fantasma resolvi então escrever algumas e as denominei de crônicas do Tempo Em Que Chuteira Tinha Prego.

Certa vez vinha andando na Beira Mar quando um corre-corre chamou minha atenção. Um cidadão tinha desabado em frente ao Clube Ideal. Cena horrível! Quem está por perto fica sem saber o que fazer. O sujeito cai no chão, se treme e começa a espumar.

Os movimentos involuntários o fazem bater com a cabeça no chão. Ninguém precisa ter medo. Tem que segurar a cabeça, senão ele a arrebenta no calçamento. Passada a crise ele te lança aquele olhar perdido de quem não sabe o que houve.

Pode procurar no bolso. Sempre tem uma informação dizendo como proceder. Geralmente os epiléticos fazem uso de remédios controlados e, depois das convulsões, tomam tranquilizante. Têm outras crises que derivam de problemas emocionais.

Destaque

O que aconteceu com Ronaldo na Copa de 1998 até hoje não está esclarecido. Nosso melhor jogador teve um não se sabe o quê no dia da final contra a França. Acabou jogando, mas a seleção sentiu o peso e perdeu por 3 a 0.

A turma do Fortaleza conta uma história do falecido Croinha que passou por problemas semelhantes. Na verdade quem me contou foi o seu Veras que na época era auxiliar técnico do Moésio Gomes. O Fortaleza estava concentrado para enfrentar o Ceará.

De repente a gritaria: "O Croinha teve um troço". A correria se espalhou e, além do problema de saúde, todo mundo ficou preocupado com a ausência do artilheiro no Clássico-Rei. Com todo mundo assustado seu Veras se encarregou da tarefa.

Munido de uma garrafa de água, uns galhos de arruda e uma espada de São Jorge invadiu o quarto e segurou a cabeça do artilheiro. Banhado pela água, pelo salpicado dos galhos de arruda e tocado pela espada de São Jorge Croinha foi se recuperando.

Quando o Croinha já estava quase totalmente normal seu Veras o balançou e sentenciou com aquela voz de quem recebeu uma entidade: "Aqui é um caboclo. Esta praga não vai pegar. Você vai arrebentar com o jogo!" Os antigos dizem que o Croinha fez dois gols naquela tarde.

 

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