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Os Estaduais minguam e a CBF nada faz
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Foto de Sérgio Rêdes
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Carioca de nascimento, mas há décadas radicado no Ceará, Sérgio Rêdes — ou Serginho Amizade, como era conhecido nos campos —, foi jogador de futebol na década de 1970, tendo sido meia de clubes como Ceará, Fortaleza e Botafogo-RJ. Também foi técnico, é educador físico, professor e escritor. É ainda comentarista esportivo da TVC, colunista do O POVO há mais de 20 anos e é ouvidor da Secretaria do Esporte e Juventude do Estado

Os Estaduais minguam e a CBF nada faz

Mais de três quartos dos clubes nacionais não disputam competições da CBF, o que tem efeito direto no DNA do brasileiro, conhecido por jogar bola em todo canto do País
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Samir Xaud foi eleito presidente da CBF no início deste ano (Foto: RAFAEL RIBEIRO/CBF)
Foto: RAFAEL RIBEIRO/CBF Samir Xaud foi eleito presidente da CBF no início deste ano

No último Ranking Nacional de Clubes publicado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 24 de dezembro de 2025, estão ranqueados 235 clubes. Isso me fez entender que, das 1.200 agremiações registradas na CBF, apenas 235 disputam competições promovidas pela Confederação.

Levando em consideração que quase todos os inscritos na Copa do Brasil estão distribuídos pelas quatro divisões dos campeonatos nacionais promovidos pela CBF, verificamos que, do total de clubes registrados, menos de uma quarta parte participa das competições nacionais.

Percebe-se então que, se não houvesse os campeonatos estaduais, teríamos 75% dos clubes sem nenhuma competição oficial. Evidentemente que há um esforço das federações regionais em manter esses clubes em atividade o ano todo, mas se existe algum interesse não existe planejamento.

Diferentemente dos clubes que alcançam uma situação melhor, os não ranqueados ficam a ver navios durante mais de oito meses. O absurdo é esse! Os campeonatos estaduais duram três a quatro meses e o resto do ano esses clubes fecham suas portas e desempregam gente.

A questão é que a Fifa, a Conmebol, a CBF e outras entidades menores são elitistas, autoritárias e centralizadoras e estão se lixando para os clubes que não disputam suas competições. Depois que o futebol virou business, o dinheiro é a alma do negócio.

Esquecem a função social do futebol no Brasil, que além de ser um grande momento de afirmação humana, está presente em cada metro dos 8 milhões de quilômetros quadrados que compõem a nossa superfície territorial. Envolve negros, índios, brancos e quem quiser vir junto.

Alan Neto, falecido colunista do O POVO, justificava sua paixão pelas raízes e pelo campeonato estadual citando Fernando Pessoa: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.

A cada ano que passa o desinteresse pelos Estaduais só faz aumentar. Os campeonatos que estimulavam a presença do futebol em todos os cantos do país foram atropeladas pela Confederação Brasileira de Futebol. Um tiro nos próprios pés.

Foto do Sérgio Rêdes

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