
Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza
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Símbolo da redemocratização no Ceará, o Plenário 13 de Maio da Assembleia Legislativa foi palco para uma defesa aberta do golpe militar de 1964 e da Ditadura Militar que governou o Brasil por 21 anos. Caso ocorreu na última segunda-feira, 25, em discurso do deputado estadual Fernando Hugo (PSD) durante solenidade em alusão ao Dia do Soldado.
“Não fora aquela ação (o golpe de 1º de abril de 1964) firme, forte, comandada por generais expressivos, acompanhados da Igreja Católica, terceirizadas com a família, sem dúvida alguma ações ditatoriais, tirânicas, do exterior estariam hoje mandando no nosso país”, disse Hugo, integrante da base do governo Elmano de Freitas (PT).
"Não fosse as Forças Armadas, intervindo em 1º de abril em 1964, quando regimes ditatoriais já tinham batido à nossa porta e estavam se preparando para entrar, nenhum de nós estaríamos aqui presentes", reforçou o parlamentar.
Da Mesa Diretora, o deputado ainda rejeitou o uso do termo “Ditadura”, que ele associou a “idiotice”. “Me maltrata demais, nos meus 72 anos, ver aqui e acolá valerem mão de microfones e dizer ‘a Ditadura Militar’, como se fosse um período eivado de mal, de descontentamento para tudo e para todos, coisa que não aguento calado”, disse.
Ironicamente, a defesa do deputado teve como palco um dos principais pontos de resistência à Ditadura Militar no Ceará. Durante as duas décadas de governo militar, 21 deputados estaduais cearenses tiveram seus mandatos cassados, seis deles menos de um mês após o início do regime, em votação realizada de madrugada e sem direito à defesa.
Todos foram acusados de “subversão” e ficaram detidos no 23º Batalhão de Caçadores, no Benfica. Um deles, José Pontes Neto, teve inclusive sua foto retirada da galeria de ex-presidentes da Alece, em “apagamento” que só foi revertido em 1977. Alguns dos cassados são inclusive familiares de colegas de Fernando Hugo, como o ex-deputado Murilo Aguiar, avô do deputado Sérgio Aguiar (PSB) que foi cassado após o AI-5.
A Ditadura Militar também atingiu e perseguiu nomes conhecidos da política cearense. Entre eles, se destaca caso do ex-deputado Eudoro Santana (PSB), pai do ministro Camilo Santana (PT), que foi demitido de um cargo concursado, preso e torturado pelo regime.
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