Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza
Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza
O ministro Camilo Santana tem se empenhado em negar que haja a possibilidade de que o governador Elmano de Freitas não seja candidato à reeleição. A mais recente foi no fim de semana, em entrevista ao jornal "O Globo". Nela, o chefe do MEC descartou concorrer a um terceiro mandato no Abolição - já o fizera recentemente -, reafirmando que o representante do bloco é o atual mandatário. Até aí, mais do mesmo. A novidade foi a menção a Ciro Gomes (PSDB). Questionado se o tucano era uma ameaça, Camilo respondeu: "Não considero ameaça, mas claro que hoje o adversário mais forte contra Elmano é ele". Em seguida, o petista antecipou parte da estratégia para 2026, de resto a mesma de 2022 e 2024: "A oposição se aliou ao bolsonarismo. Eles não têm projeto, é o ódio".
O papel de Camilo no pleito não está claro ainda, porém. Se acumular funções estratégicas em outros estados, mesmo que nos vizinhos do Nordeste, pode acabar sendo tragado por disputas alheias e esquecer do próprio quintal.
Se, entre suas atribuições, houver uma que o coloque no centro da tática para a reeleição de Lula, então, a tendência é que o ex-governador precise se dedicar a outras missões além daquela que seria sua prioridade: reeleger Elmano.
Na mesma entrevista, Camilo deixou escapar algo curioso: segundo ele, o ministro Fernando Haddad teria de encarar uma possível candidatura ao Governo de São Paulo como missão, deixando de lado o projeto para o Senado.
O risco é o de essa lógica se voltar contra o ministro, mas em relação ao Ceará. O que se extrai da declaração é que, ao fim e ao cabo, os candidatos a governador do bloco lulista devem ser escolhidos entre os mais fortes e bem avaliados.
É uma lacuna que o entrevistador não tenha perguntado a Camilo sobre o que achava da avaliação de Cid Gomes (PSB), para quem é um erro que o aliado deixe o MEC, sob risco de passar de "sombra" para "fantasma".
Membros da base evitaram responder ao senador. Quando muito, trataram o caso como boataria, ainda que o assunto tenha sido trazido a público por Cid, que tinha a opção de guardar para si o que pensa, mas quis compartilhá-lo.
O deputado federal e líder do governo Lula, José Guimarães (PT), fez uma caravana no interior cearense no fim de semana. Para o petista, o movimento intensifica articulações, cacifando o parlamentar para a corrida por uma vaga na chapa para o Senado.
As eleições de Choró estão afastando as lideranças partidárias, que não participaram das convenções no último sábado, 24. Cid Gomes (PSB), por exemplo, cumpre missão fora do país. Júnior Mano (PSB) também não foi visto.
Uma hipótese: pouca gente está disposta a se associar a uma vitória no município, cujo ex-prefeito, Bebeto Queiroz (PSB), está foragido há mais de um ano. Assim, é melhor passar longe da cidade, sobretudo às vésperas do pleito.
Suplementares: o que há em comum nas eleições de Santa Quitéria, Choró, Senador Sá e Potiretama, cujos prefeitos eleitos em 2024 foram cassados? Os sucessores, já escolhidos ou ainda candidatos, são indicados pelos gestores apeados do poder, ou seja, a justiça eleitoral puniu, mas o comando municipal não mudou de mãos.
Política é imprevisível, mas um texto sobre política que conta o que você precisa saber, não. Acesse minha página e clique no sino para receber notificações.