Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza
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A região do Cariri é estratégica para os planos de governistas e da oposição na disputa que se avizinha. Em 2024, por exemplo, Glêdson Bezerra (Podemos), prefeito de Juazeiro do Norte, tornou-se o primeiro gestor a se reeleger na cidade. Não à toa, foi lá onde começou a ganhar contornos um bloco anti-PT, hoje integrado por forças que tentam superar arestas: PL, PSDB, Novo, Podemos, União Brasil e a ala do PDT que orbitava Ciro Gomes, agora no ninho tucano. Esse movimento foi vital para o amadurecimento de um campo adversário do Abolição. Daí que, nesse sábado, 7, Ciro volte ao Cariri, desta vez para receber comenda concedida pela Câmara de Juazeiro. Em meio a um crescendo das tensões, a iniciativa tenta firmar o território como um enclave oposicionista.
Em Juazeiro, a agenda de Ciro já indica uma articulação regional no "quintal" do camilismo. Além da comenda, o ex-presidenciável deve manter reunião com lideranças para discutir a formação de chapas para a corrida de 2026.
A ideia é que esse encontro se repita em outras localidades do Estado, num roteiro que contemple as macrorregiões cearenses. A rodada seguinte está prevista para Fortaleza, entre março e abril, no período da desincompatibilização.
Queda...
Os governistas, por sua vez, já tratam Glêdson Bezerra como um nome que vai compor com a oposição, embora o prefeito caririense tenha ensaiado uma aproximação com Elmano nos meses que se seguiram a sua vitória, depois de 2024.
Entre interlocutores do Executivo, a aposta principal na região é de fato a influência do ministro Camilo Santana (Educação), à qual se soma o capital político do deputado federal José Guimarães (PT), cotado para o Senado.
Pelos sinais emitidos de parte a parte até aqui, já é possível notar que a retórica da oposição é prioritariamente local, centrada nas questões da administração estadual (segurança, emprego, economia, finanças e saúde).
Do lado governista, o foco tem sido nacional, com a perspectiva de ampliar o rol de apoiadores. Já foi assim no pleito de 2022, quando Camilo fez sucessor no Governo, mas tende a ser mais ainda num cenário como o deste ano.
Um movimento foi deflagrado para acelerar a agenda positiva em torno do governador Elmano de Freitas (PT). A intenção é dupla: enfatizar a sua viabilidade eleitoral e neutralizar, ainda no nascedouro, qualquer sugestão de troca de candidatura.
A hipótese de substituição de Elmano por Camilo, já descartada por fontes diversas, não empolga uma parcela dos aliados do Abolição, dentro e fora do PT: de Cid Gomes (PSB) a quadros de proa da legenda do governador.
A leitura de membros desse setor é que um retorno do titular do MEC para concorrer ao Executivo faria o jogo voltar a seu início, adiando um debate, muito caro ao senador Cid, sobre a passagem de bastão no topo do poder.
Há ainda um agravante em relação a esse cenário (hipotético, frise-se) no qual Camilo Santana tentaria um terceiro mandato no Ceará: para onde iria Elmano? Seu destino provável seria uma das duas vagas para senador, o que criaria acirramento ainda maior nessa guerra pelos lugares na chapa.
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