Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza
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O governador Elmano de Freitas (PT) fez ontem um movimento importante ao anunciar que policiais envolvidos "em inquéritos de lesão corporal ou morte decorrente de intervenção" passam de "autor de crime", como eram designados nos processos, para "interventor". Já as vítimas, por sua vez, ganham a denominação de "opositor". Deixando de lado a possível inconstitucionalidade da decisão e o verniz tecnocrático que mascara suas intenções políticas, trata-se de aceno do chefe do Abolição a um eleitorado conservador, cujas demandas por punitivismo e retórica beligerante acabam sendo acolhidas por candidatos à direita no espectro eleitoral. A intenção do Executivo parece ser a de neutralizar esse trunfo dos adversários, evitando que seja explorado.
A iniciativa escancara uma das estratégias da base governista na tentativa de reeleição: fazer o debate da segurança não mais sob viés progressista, mas em território ideológico não apenas de direita - mas direita bolsonarista.
A medida é ainda uma inflexão no discurso do governador, que já vinha endurecendo em suas manifestações quando instado a falar sobre o desafio das facções, seja estabelecendo ultimatos, seja chancelando ações da PM.
O grande receio nessa alteração adotada por Elmano é que não se trata apenas de nomenclatura. Na prática, uma mudança do tipo, se não for questionada juridicamente, pode acabar por aumentar números da letalidade.
No Ceará, houve crescimento nessas estatísticas de morte por intervenção policial. Em inquéritos que apuram possíveis abusos, a tese esgrimida pelas defesas é frequentemente a da resistência à ação policial.
Há dúvidas, porém, sobre a efetividade política do decreto do Governo. É difícil supor que o eleitorado bolsonarista deixe de entregar seu voto a um candidato afinado com suas bandeiras para depositá-lo no número do chefe petista.
A política de segurança pública de gestões à esquerda, no entanto, vem criando embaraço para sua base, sobretudo porque a aposta nessa gramática bélica não se traduz em resultados, salvo a curto prazo e muito pontualmente.
O deputado federal André Fernandes (PL) disse à coluna que tem "autonomia total para definir os palanques do PL no Ceará". À frente da sigla, Fernandes, que chegou ao 2º turno na Capital em 2024, tenta costurar uma chapa única da oposição no Estado.
Ainda de acordo com o parlamentar, "o palanque de Flávio Bolsonaro (pré-candidato à Presidência pelo PL) no Ceará será o candidato ao Senado Alcides Fernandes" - deputado estadual e pai do dirigente partidário no âmbito local.
Por ora, acrescentou Fernandes, as tratativas para composição eleitoral no campo da oposição estão "suspensas". O PL só deve retomar as conversas em maio, quando o cenário local para o pleito estiver mais definido.
Espaço de memória e boa conversa, o célebre Café Java, mantido pela Academia Cearense de Letras desde a reabertura, apresenta novidades no seu cardápio de bebidas em evento na próxima terça-feira, 10 de fevereiro, a partir das 18 horas (rua Sena Madureira, nº 760).
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