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Vitor Magalhães é jornalista do O POVO e escreve sobre política e mundo. É criador do Latinoscópio, projeto jornalístico que reúne diariamente informação, notícias, opinioes e curiosidades sobre os 20 países da América Latina

Vitor Magalhães internacional

Uruguai é o único país sul-americano que poderá enviar viajantes a países da União Europeia

Testagem, consciência social e tradição republicana forte explicam o sucesso uruguaio. Com 936 casos e 27 mortes viajantes originários do país podem ingressar na União Europeia a partir de hoje, 1°de julho
O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, anunciou que o país voltará a abrir as fronteiras aos brasileiros totalmente vacinados em 1º de novembro. (Foto: AFP)
Foto: AFP O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, anunciou que o país voltará a abrir as fronteiras aos brasileiros totalmente vacinados em 1º de novembro.

936 e 27. Esses são, respectivamente, os números de casos e mortes por coronavírus no Uruguai, que tornou-se o fôlego em uma América Latina (AL) afogada em mais de 2,5 milhões de casos da doença que já matou mais de 116 mil pessoas só na região.

Cifras também são motivo do país ser o único sul-americano a ter possibilidade de que viajantes originários do seu território ingressem em países da União Europeia (UE) a partir de hoje, 1°de julho. 

Mas como a região que há mais de um mês é considerada epicentro da pandemia da Covid-19 pode ter um dos exemplos mais contundentes de sucesso no controle de danos da pandemia? Coincidência? Não. Testagem, consciência e compromisso social e tradição republicana forte explicam o sucesso uruguaio.

No Uruguai um dos fatores que pesou foi a cidadania. Apesar de ter adotado medidas semelhantes a dos vizinhos, como fechamento de fronteiras, suspensão de aulas e eventos que gerariam aglomeração. O governo não estabeleceu uma quarentena obrigatória, mas uma "quarentena voluntária".

O que fez foi, basicamente, recomendar medidas de isolamento e distanciamento social, além de conceder alguns direitos a camadas mais vulneráveis da sociedade. A população compreendeu a gravidade do problema e prontamente atendeu às sugestões. Na capital, Montevidéu, diversos lojistas fecharam o comércio por iniciativa própria.

Outro fator que pesa é que o Uruguai possui apenas 3,5 milhões de habitantes, menos do que varias cidades brasileiras, por exemplo. Mais de um terço da população concentra-se na capital.

Apesar disso, é importante salientar que o Uruguai testa, proporcionalmente, mais que o Brasil. São 18,8 mil testes a cada milhão de habitantes, enquanto no Brasil o número é de 14,4 mil a cada milhão.

O presidente Luis Alberto Lacalle Pou, de centro-direita, havia assumido o cargo em março e agiu rápido no fechamento de fronteiras, escolas e outras medidas de distanciamento.

Muito do suporte que Pou teve para dar segurança aos cidadãos é originário de gastos com assistência médica, aposentadoria e programas sociais durante os 15 anos de governos de esquerda que o precederam. E ele sabe disso. A união uruguaia prova que o vírus não tem espectro político.

Outro país, com estratégia oposta, que tem ótimos resultados no controle de danos é o Paraguai. Nação registra pouco mais de dois mil casos de Covid-19, com 17 mortes. O governo, também de centro-direita, optou por adotar um fechamento total na capital Assunção, estabelecer isolamento obrigatório, dentre outras medidas rígidas de distanciamento.

O Paraguai chegou a passar 32 dias sem registrar mortes enquanto o Uruguai registrou mais de 10 dias sem óbitos e vários dias registrando zero, um, dois ou três casos em 24 horas.

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