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Os dilemas da agenda eleitoral brasileira
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Doutor em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), atualmente professor e coordenador do Curso de Bacharelado em Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde coordena, ainda, o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Partidos Políticos (GEPPOL). Em 2018, foi guest scholar no Kellogg Institute for International Studies da Universidade de Notre Dame

Os dilemas da agenda eleitoral brasileira

O eleitor tende a olhar suas condições objetivas de vida no momento da escolha de presidentes. Por isso, governos que conseguem oferecer estabilidade econômica, emprego e poder de compra costumam ser recompensados nas urnas
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Dólar chegou a vale R$ 0,85 ao fim do ano de implantação do plano real (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil Dólar chegou a vale R$ 0,85 ao fim do ano de implantação do plano real

Historicamente, a economia tem sido o eixo estruturante das eleições no Brasil. O exemplo mais emblemático foi a relevância do Plano Real na disputa presidenciais, cujo sucesso na estabilização da moeda e no controle da inflação foi decisivo para as vitórias presidenciais do PSDB em 1994 e 1998. De forma racional, o eleitor tende a olhar suas condições objetivas de vida no momento da escolha de presidentes. Por isso, governos que conseguem oferecer estabilidade econômica, emprego e poder de compra costumam ser recompensados nas urnas.

A história recente também mostra que as questões sociais (e não somente as puramente econômicas) podem definir prioridades eleitorais. Em 2002, a preocupação com pobreza e desigualdade ganhou centralidade, abrindo espaço para uma agenda voltada à inclusão e à ampliação das políticas de proteção social. O ciclo seguinte, marcado pela consolidação de programas de transferência de renda, pela expansão do acesso ao ensino superior e por ganhos reais no salário mínimo, contribuiu para o sucesso eleitoral do PT em 2006 e 2010.

Em 2014, a eleição presidencial foi marcada por forte polarização, em um cenário de desaceleração econômica. Já em 2018, o Brasil viveu uma eleição disruptiva. O bolsonarismo emergiu em meio a um ambiente de forte desgaste das instituições e ascensão da extrema direita no mundo. Entre vários temas, a corrupção se configurou como central dentro do debate público, deslocando o debate para questões de ordem moral.

Já em 2022, o país assistiu à primeira derrota de um presidente candidato à reeleição, em uma eleição muito acirrada. A disputa opôs dois projetos distintos: de um lado, uma direita mais ideologizada; de outro, uma frente ampla que reuniu a esquerda e setores moderados em torno da defesa das instituições e da reconstrução de políticas públicas.

Pesquisas recentes indicam que a economia continua relevante. O governo Lula tem apresentado indicadores positivos, como crescimento econômico e queda na taxa de desemprego. A inflação, que vinha sendo um problema na primeira parte do governo, também recuou. No campo social, houve a reconstrução de políticas emblemáticas, como o relançamento do Bolsa Família e a ampliação de políticas e programas sociais nas áreas de saúde, educação e combate à pobreza extrema.

Ainda assim, outros temas passaram a dominar o debate público. A violência e a segurança aparecem no topo das preocupações do eleitorado, segundo pesquisas de opinião recentes. Esses temas, certamente, estarão no centro da disputa narrativa entre as principais candidaturas presidenciais. Em uma disputa polarizada e, possivelmente, acirrada, esses temas podem ser decisivos no debate público e, consequentemente, para o resultado do pleito.

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