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Os desafios do PT no Nordeste
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Doutor em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), atualmente professor e coordenador do Curso de Bacharelado em Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), onde coordena, ainda, o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Partidos Políticos (GEPPOL). Em 2018, foi guest scholar no Kellogg Institute for International Studies da Universidade de Notre Dame

Os desafios do PT no Nordeste

.Existe uma preocupação interna no PT com alguns estados do Nordeste, especialmente, com a Bahia e o Ceará. Nesses, há dois pré-candidatos de oposição muito fortes
Tipo Opinião
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CAMILO, Elmano e Cid em evento no Senado em outubro de 2025 (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado CAMILO, Elmano e Cid em evento no Senado em outubro de 2025

As eleições de 2026 ainda nem começaram, mas já estão começando a se desenhar no Nordeste. Essa região tem sido central nas eleições presidenciais, em particular, para o Partido dos Trabalhadores (PT), pois tem sido a principal base eleitoral da agremiação, tendo sido fundamental em 2022. Naquele pleito, a vantagem obtida nos estados nordestinos foi decisiva para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. E, por isso, também será um espaço a ser disputado com intensidade pelas candidaturas de oposição.

O Nordeste poderá ter cinco governadores candidatos à reeleição, dos nove estados da região. As outras regiões poderão ter um candidato a reeleição cada: Mato Grosso do Sul (Centro-Oeste), Amapá (Norte), São Paulo (Sudeste) e Santa Catarina (Sul).

Dos estados com possibilidade de reeleição no Nordeste, três são do PT: Rafael Fonteles (Piauí), Elmano de Freitas (Ceará) e Jerônimo Rodrigues (Bahia). Raquel Lyra (PSD) concorrerá à reeleição em Pernambuco e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe. Esse dado é relevante: a presença de incumbentes tende a favorecer a continuidade, em caso de boa aprovação dos governadores. Ademais, impacta diretamente sobre as estratégias de coordenação eleitoral das campanhas presidenciais na região.

Existe uma preocupação interna no PT com alguns estados do Nordeste, especialmente, com a Bahia e o Ceará. Nesses, há dois pré-candidatos de oposição muito fortes. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues está lidando com uma oposição liderada por ACM Neto (União Brasil). Ambos já se enfrentaram em 2022, com vitória para o petista.

O PT tem ganhado eleições na Bahia desde 2006. Já no Ceará, o governador Elmano de Freitas deverá enfrentar Ciro Gomes (PSDB), que já foi governador do estado e tem feito um movimento em direção a lideranças mais à direita do espectro ideológico. No Ceará, o PT tem vencido eleições desde 2014.

Já no Piauí, o governador Rafael Fonteles segue bem avaliado e tem grandes chances de ser reeleito, ainda que enfrente o grupo político liderado por uma liderança nacional de peso: Ciro Nogueira (PP). O PT no estado venceu eleições em 2002, 2006 e em 2014, 2018 e 2022.

Em 2022, Lula saiu fortalecido no Nordeste ao ver a maioria dos governos estaduais da região nas mãos de aliados. O único ponto fora da curva foi Pernambuco, onde Raquel Lyra, então no PSDB, venceu a petista Marília Arraes no segundo turno. Já em 2026, o PT não terá apenas a tarefa de tentar reeleger seus governadores, mas também de aparar arestas internas e organizar o jogo das alianças em alguns estados com indefinições dentro do grupo político, como no Maranhão e no Rio Grande do Norte. Enfim, o Nordeste continuará sendo decisivo no pleito deste ano.

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