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Fosse para todo mundo, sobretaxa sobre o aço não seria tão desastrosa

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Não há respostas precisas para os efeitos da decisão do governo norte-americano de sobretaxar as importações no setor siderúrgico. Os executivos ao redor do mundo se entreolham desde o anúncio feito por Trump, na semana passada, de que bateria o martelo — o que acabou fazendo ontem. A exclusão de Canadá e México remete a razões domésticas. Os três países cambaleiam com o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta). Ademais, a exportação de aço do Canadá para os EUA compete, já a do Brasil, não. É complementar. Os EUA têm déficit de 9 milhões de toneladas de placas de aço, mas nem Mickey Mouse acredita que a sobretaxa consiga revitalizar a produção interna. Qual seria o investidor que faria uma nova planta siderúrgica para fabricar placas de aço com base em uma medida tarifária suscetível a reversão como esta? Na nossa Companhia Siderúrgica do Pecém, a coreana-brasileira CSP, com 11% da produção vendida para os EUA, a avaliação na direção é serena. Creem ser possível redirecionar para outros destinos. A sobretaxa desequilibra o jogo, já que não é para todo mundo. No rol dos aparentes tiros nos pés, entram os produtos de valor agregado, onde reluzem mais dólares, como os automóveis e a linha branca. Trump simplesmente impõe um aumento de custo, tornando-os mais caros e menos competitivos. O que Trump estaria vendo?


MEDIDA FRÁGIL
Os EUA têm déficit de 9 milhões de toneladas de placas de aço, mas nem Mickey Mouse acredita que a sobretaxa consiga revitalizar a produção interna

JOCÉLIO LEAL
EDITOR-CHEFE DE NEGÓCIOS E ECONOMIA
leal@opovo.com.br
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